quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Coralie Clément

Você conhece Coralie Clément? Cantora de "safra" recente, de quem tenho dois discos bastante diferentes entre si (Salle des pas perdus e Bye bye beauté - se alguém conseguir os mais recentes, C'est la vie e Toystore, podemos negociar muito material pirata), ela empresta sua voz aveludada a canções escritas por seu irmão Benjamin Biolay. Este último, aliás, é um dos nomes fortes da nova geração da música francesa e participou do retorno de Henri Salvador aos estúdios e aos palcos.
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Aqui você confere duas canções de Coralie: Samba de mon coeur qui bat, que está na trilha sonora do filme Alguém tem que ceder (Something's gotta give, com Jack Nicholson), e L'ombre et la lumière. A letra, você sabe: está nos comentários.
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domingo, 7 de fevereiro de 2010

OS APÓSTROFOS EM FRANCÊS

Uma das características mais marcantes do francês é a enorme frequência do apóstrofo. Curiosamente, ao longo de quase sete anos como professor, percebo que é um aspecto que passa despercebidos a muitos alunos. Meus pupilos normalmente esquecem de colocar essa vírgula flutuante onde ela é obrigatória ou a escrevem onde ela não poderia estar. E, normalmente, cometem esses erros opostos no mesmo texto!
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Mea culpa: no material didático, o uso do apóstrofo só é explicado de maneira sistemática quando da apresentação dos artigos definidos e dos pronomes-sujeitos. E apenas na primeira unidade do primeiro semestre. O assunto não é retomado depois, até porque aparecem outros temas, mas o fato é que a ortografia é um ponto bastante negligenciado pela maioria dos livros de língua estrangeira. O resultado é que, na falta de instruções mais detalhadas, os alunos seguem a intuição, e essa, creio eu, é orientada pelo conhecimento do inglês. Se, nesse idioma, a escolha entre I am e you are ou I’m e you’re, por exemplo, depende do grau de formalidade do texto, assim também deve ser em francês. Imagino que os alunos pensem assim. Acabam esquecendo que, no início do curso, o professor disse que era proibido escrever, dizer ou mesmo pensar uma monstruosidade como je habite, em vez de j’habite. Além disso, um mínimo de leitura deixa claro que esse tipo de coisa nunca acontece, em nenhum tipo de texto. Meia culpa: culpa compartilhada...
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Bom, mas se o problema é falta de explicação sistemática, lá vai: o apóstrofo é de uso obrigatório quando a vogal final de certas palavras encontra a vogal inicial ou o h mudo da palavra seguinte, e serve para marcar que essa vogal final não é pronunciada. Essa queda de uma vogal se chama “elisão” (élision). Aqui, me refiro especificamente aos seguintes vocábulos: je, me, te, se, le, la, ne, que e de, que viram j’, m’, t’, s’, l’, n’, qu’ e d’. SISTEMATICAMENTE. OBRIGATORIAMENTE. E exatamente porque se fala assim. Se, em vez de pronunciar j’ai (jé ou jê), você soltar je ai (je-é), não vai dizer “eu tenho”, e sim je hais (“eu detesto”, do verbo haïr). Isso seria... detestável.
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Não tenha vergonha de usar tantos apóstrofos quanto for necessário: J’imagine qu’André n’a pas de problème d’argent, parce qu’il t’a acheté un collier en or (“Imagino que André não está com problema de dinheiro, porque ele comprou um colar de ouro para você”). Desculpem o exemplo meio esquisito, não estava muito inspirado.
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Algumas observações importantes:
Si só se torna s’ diante de il. Lorsque (“quando”) só sofre elisão antes de il(s), elle(s), on, en e un(e) – nesse caso, escreve-se lorsqu’. Com quoique (“embora”, “ainda que”) é quase a mesma coisa (quoiqu’), com exceção de en – Quoique en ce moment... (“Embora neste momento...).
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O adjetivo possessivo feminino (ma), quando se encontra diante de uma vogal ou de um h mudo, não se transforma em m’, e sim em mon: ou seja, embora la + amie fique l’amie (“a amiga”), ma + amie = mon amie (minha amiga). Até porque mamie significa “vovó”.
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Na regra ortográfica, NUNCA se usa apóstrofo antes de consoante. Mas você já deve ter visto isso, até nas letras de música que eu posto aqui, e as do Yves Jamait são o melhor exemplo. Bom, trata-se de uma representação da língua falada, na qual costumamos “engolir” o e não acentuado e mesmo algumas consoantes ou algumas palavras que, em princípio, deveriam ser pronunciadas. Assim, se você se deparar com algo como i m’dit qu’y a pas d’souci mais j’crois pas qu’tu sois d’accord, saiba que se trata de um modo de retratar a maneira coloquial de pronunciar a frase il me dit qu’il n’y a pas de souci mais je ne crois pas que tu sois d’accord (“ele me diz que não tem problema, mas eu acho que você não concorda”). Mas lembre-se: se você escrevesse assim numa prova, seu texto pegaria sarampo!
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E pelamordedeus: o artigo definido plural (les) não vira l’ nunca-jamais, em hipótese nenhuma! Da mesma forma, não faz sentido usar apóstrofo onde não existe uma vogal para cair, como é o caso do artigo indefinido masculino (un): escrever un’hôtel, em vez de simplesmente un hôtel, é um atentado ao bom senso. E como chatice pouca é bobagem, vou insistir: também não se usa apóstrofo com o artigo indefinido feminino (une).
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Concluindo: acima, falei mais de uma vez sobre “h mudo” (h muet). Explico: não é que exista alguma situação em que o h tenha som, mas algumas palavras começadas com essa letra não admitem élision nem liaison (aquele fenômeno no qual les hôtels se pronuncia “lêzôtél”). Esse h aspiré está devidamente indicado no dicionário com um asterisco antes da palavra ou com alguma marca na transcrição fonológica. E para aprender... só estudando. Assim, mãos à obra!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Avez-vous déjà vu... ?

No blog do Marcos, meu colega no Centro de Línguas, tem uma seção com uns vídeos muito engraçados chamados "Avez-vous déjà vu... ?". Normalmente, são animações tratando de situações absolutamente bizarras, do tipo "Você já viu porcos-espinho brincando de teatro de sombras?", e que sempre rendem boas risadas. Para conferir o que Marcôs, le Robert disponibilizou para a gente, clique aqui.
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P.S.: Tentei resistir à tentação, mas não deu. Gostaria de lembrar que déjà vu, cuja tradução literal é "já visto", quando aparece em frases como C'est du déjà vu, significa "clichê", "coisa batida". Assim, se você quiser dizer, por exemplo, que o filme que você viu no domingo passado não te surpreendeu em nada, você pode dizer Que du déjà vu ("Só clichê"). Não entendeu esse que? Clique aqui.
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Já aquela impressão de que estamos vendo algo pela segunda vez se chama déjà-vu (com hífen) ou paramnésie (em grego, "mémória paralela").

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Trem da Vida

Ontem, revi um de meus filmes favoritos: Train de Vie. O título em português é uma tradução literal do original, e é bastante apropriado para essa comédia que relata as aventuras de uma aldeia de judeus situada na França ocupada pelas tropas nazistas. Ao saber da chegada das tropas alemãs, que deportariam todos para campos de concetração, o Conselho dos Sábios se reúne e adota uma estratégia original: organizar a própria deportação, criando um falso trem nazista para escapar até a Palestina. Alguns membros da comunidade se deveriam interpretar os nazistas, ao passo que outros fariam o papel de prisioneiros. E eles ainda têm que escapar de uma Resistência Francesa trapalhona, que tenta o tempo todo descarrilhar o suposto comboio nazista.
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Mas é interessante notar que, em francês, train de vie é uma expressão um pouco antiga que significa "modo de vida". Se o título se referisse simplesmente a um "trem da vida", o título seria Le train de la vie (repare que o artigo antes de "vida" tem o mesmo efeito que teria em português). Train, aliás, tem como um de seus sentidos "maneira de ir, de evoluir". A expressão en train significa "em andamento", por isso mettre en train e, consequentemente, mise en train, podem ser traduzidas com os neologismos (um tanto desajeitados e deselegantes, a meu ver) "operacionalizar" e "operacionalização". (Em outra ocasião, já me dediquei a essas expressões com mise.) E não é por acaso que a locução être en train de + infinitif é uma equivalente do nosso "estar + gerúndio" - só que eu já falei bastante sobre isso em um texto anterior.
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Voltando à história do falso trem nazista: o que resulta desse insólito ponto de partida é um filme delicioso, repleto de humor, delicadeza e emoção, com uma fotografia belíssima. Tratando-se de um filme de 1998, pode não ser assim tão fácil de encontrar nas locadoras (eu mesmo só pude revê-lo porque meu primo o baixou), mas sem dúvida vale a pena procurá-lo. Abaixo você confere o trailer (sem legendas, sinto muito) e uma de minhas cenas preferidas, em que o louco, Schlomo, intervém em uma violenta discussão acerca da existência de Deus (com legendas em português).


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Le complexe du Corn Flakes

Como meu último post falou sobre um símbolo francês, lembrei de uma música de adivinha qual cantor? Ganha um "viva" quem responder Mathieu Chedid. Pois bem, o recordista do penteado mais sensual do Velho Mundo fez uma canção muito divertida sobre a relação entre franceses e americanos, o que nos ajuda a ver que aquele francês com uma baguette no sovaco, um béret na cabeça e um discurso anti-ianque na ponta da língua é um estereótipo que não convém generalizar, como tentei mostrar em outro texto.
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Alguns aspectos interessantes: 1) nunca é demais explicar: ricain é uma redução de américain; 2) nas palavras que se pronunciam com um "êi" em inglês, os franceses costumam mandar um "é": flakes ("flêiks"), dessa forma, vira "fléks". Aliás, costumo brincar que é necessário falar francês para entender um francês falando inglês. (Para não ser injusto, é bom lembrar que os europeus, de modo geral, costumam estudar inglês britânico, o que causa um distanciamento maior com o inglês a que estamos habituados.) Essa fonética à la française, é bom ressaltar, não é política, é só sotaque mesmo - brasileiros transformam Red Hot em "rédji-rótchi", espanhóis dizem "güíski" para whisky e tá tudo certo.
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No mais, espero que você curta o clipe. A letra está nos comentários.


domingo, 17 de janeiro de 2010

Le coq gaulois et le coq au vin



Dia desses, passando em frente a um bar chamado Coq ou Le Coq, uma amiga comentou que o letreiro daria a entender, a quem não conhece francês, que coq significa "rei", e não "galo". De fato, há uma pequena coroa sobre a letra "o". Enfeite aleatório? Nada disso. Para entender por que o galo é um dos símbolos da França (presente no uniforme de seleção de futebol, p. ex.), transcrevo aqui uma pequena explicação que se encontra no livro La France aux cent visages, de Annie Monnier.
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Sans être réellement un emblème national, l'image du coq gaulois est souvent liée à celle de la France. Ce sont les Romains qui ont les premiers associé le coq et la Gaule, puisque le mot « gallus » désigne, en latin, et le coq et le Gaulois. Utilisée à la fin du XIIe siècle pour ridiculiser le roi de France, la comparaison est restée péjorative. Vaniteux, batailleur, sot, sensible à la flatterie, le coq n’est pas un animal glorieux ! Mais, peu à peu, devenu au contraire symbole du courage et de la victoire, cet emblème a été assumé par les Français eux-mêmes. Ainsi à la cour de François Ier, le coq figurera à côté de la fleur de lys, de la couronne et de la salamandre. La révolution française lui accordera une place privilégiée. Il figurera sur différentes monnaies de la IIe et de la IIIe Républiques.
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On le retrouve aujourd’hui sur la grille du Palais de l’Élysée, résidence du président de la République, et sur le clocher des églises.

.Clique aqui para ler um comentário muito interessante sobre o galo francês, num site que também apresenta uma série de dicas interessantes sobre o país de Astérix e Obélix. Fico até meio chateado de mandar o link, já que me arrisco a perder leitores para outro blog, mas é meu dever repassar informação de utilidade pública :)
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Pequena curiosidade: o lugar em que se encontra o galinheiro (poulailler), em francês, se chama basse-cour. O termo designa o terreiro no qual se criam aves e pequenos animais domésticos. O engraçado é que cour significa tanto “pátio” quanto “quadra” (de tênis, p. ex.) ou “corte” (como a corte de um rei, como se vê no texto acima).
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A receita do coq au vin, verdadeiro monumento da gastronomia francesa, segue abaixo, com a tradução entre parênteses, em itálico (a foto não é minha):
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COQ AU VIN (GALO AO VINHO)Pour 4 personnes (Para 4 pessoas)
1 coq (ou poulet) de 2 kg coupé en morceaux (1 galo (ou frango) de 2 kg cortado em pedaços)
200 g de lardons coupés en dés (200 g de bacon cortado em cubinhos)
300 g de champignons (300 g de cogumelos frescos)
50 cl de vin rouge (500 ml de vinho tinto)
2 cuillères à soupe de cognac (2 colheres de sopa de conhaque)
60 g de beurre (60 g de manteiga)
1 cuillère à soupe de farine (1 colher de sopa de farinha)
2 gousses d’ail pilées (2 dentes de alho socados)
2 oignons hachés (2 cebolas picadas)
1 bouquet garni (persil, thym, laurier) (1 amarrado de ervas (salsa, tomilho, louro))
Sel, poivre (Sal, pimenta-do-reino)
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Mettez dans une cocotte les morceaux de coq et faites-les dorer dans le beurre de chaque côté, 10 minutes. Sortez-les. Dans la même casserole, faites cuire les lardons à feu lent pendant 5 minutes. Ajoutez les oignons et faites-les dorer. Ajoutez alors les morceaux de coq et, en tournant, incorporez la farine et versez le vin. Mélangez bien, salez et poivrez. Mettez l’ail et le bouquet garni. Couvrez et faites cuire 1 heure à feu lent.
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Lavez bien les champignons et mettez-les dans la cocotte. Faites cuire encore 30 minutes. Versez le cognac dans la cocotte et cuisez à feu doux encore 5 minutes. Servez avec des pommes de terre cuites ou en purée ou avec des pâtes fraîches.
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(Coloque, em uma panela, os pedaços de galo e doure-os na manteiga dos dois lados, por 10 minutos. Retire-os. Na mesma panela, cozinhe o bacon a fogo brando durante 5 minutos. Adicione as cebolas e doure-as. Adicione então os pedaços de galo e, mexendo, incorpore a farinha e despeje o vinho. Misture bem, ponha sal e pimenta. Coloque o alho e o bouquet garni. Cubra e cozinhe por 1 hora a fogo brando.
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Lave bem os cogumelos e coloque-os na panela. Cozinhe por mais 30 minutos. Despeje o conhaque na panela e cozinhe a fogo brando por mais 5 minutos. Sirva com batatas cozidas, com purê de batatas ou com massa fresca.)
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P.S.: É raro usar galo hoje em dia. Assim, compre um frango e seja feliz. Mas saiba que você vai ser ainda mais feliz se usar uma bela galinha caipira. E não se esqueça da maldição de sete anos de azar se você insistir em usar aqueles cogumelos em conserva horrorosos, que não têm gosto de nada!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Nova Ioga

Olha que tchuque-tchuque:

Poemas do Wilberth

Dois poemas de um cara chamado Wilberth, que meu tio Buza conheceu na UERJ (mas acho que não é o professor da UFES):

CREPÚSCULO

Cai o sol...

Ai que tombo!


(SEM TÍTULO)
Quem tem boca vai a Roma
Quem tem boca vai a Londres
Quem tem boca vai à França

Pobre não tem boca

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Yves Jamait

Muitas pessoas acham que a música francesa se resume a Edith Piaf e a Charles Aznavour (que eu adoro, diga-se de passagem). Alguns, estranhamente, continuam com essa impressão depois de estudar francês. Vai entender... Como você pode verificar na seção Música deste blog, a França tem muito o que oferecer a seus ouvidos: muitos ritmos, muitas influências, muita gente boa. E olha que eu nem sempre me lembro de colocar canções aqui; se eu fosse postar alguma coisa sobre todos os artistas que me agradam, acho que faltaria espaço.
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Outro comentário que às vezes escutamos é que a música francesa é "esquisita". Trata-se, frequentemente, de comentários feitos por alunos que estão muito habituados a só escutar artistas americanos. OK, gosto é gosto, tem gente que acha que isso não se discute - eu discordo, mas bom... Seja como for, o ritmo francês por excelência é a chamada chanson. É um rótulo, a meu ver, tão vago quanto MPB: um guarda-chuva que inclui artistas completamente diferentes entre si. Mas alguns traços são marcantes: um certo ritmo "bem francês" e uma grande atenção dada ao texto, muitas vezes salpicado de humor.
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Yves Jamait, de quem eu apresento três músicas aqui, é um bom representante desse estilo. Suas letras, que vão do divertido ao sério, usam e abusam de um estilo muito próximo ao da fala coloquial, e são excelentes para aprender francês. Perceba o uso dos apóstrofos: muitos deles estão "errados", e indicam o e caduc (que não se pronuncia). É importante lembrar que, de acordo com a regra ortográfica, nunca se usa apóstrofo antes de consoante; afinal, esse sinalzinho indica que a vogal anterior caiu para não produzir hiato com a que vem depois dele. Um dia volto a falar do assunto. Outros aspectos marcantes são os "ne" da negação, que vão pras cucuias quase sempre, além de uma série de expressões correntes que você pode me perguntar caso não encontre no dicionário..
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OK tu t'en vas quebra completamente com o clichê você-vai-me-abandonar-e-meu-mundo-vaicair. Reste é plutôt um poema de amor, mas com um balanço muito legal - e a voz inconfundível de Jamait cria todo um clima. Jean-Louis eu fui conhecer hoje e postei porque o clipe é um barato. No comentário, você encontra o texto da primeira e da terceira (em Reste, você acompanha na tela mesmo). Nos vídeos relacionados, dá pra fazer a festa!





quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Fé

Não foram poucas as vezes em que algum conhecido ou algum aluno, ao se deparar com meu ateísmo declarado, me disse algo como “não acredito na religião, mas acredito na fé”. Trata-se, em geral, de pessoas que estudaram, que ouviram críticas perfeitamente razoáveis, às vezes duríssimas, à igreja católica, às diferentes denominações protestantes ou, ainda, ao judaísmo ou ao Islã. Trata-se, em geral, de pessoas que não frequentam nenhum culto, que não dão importância a rituais místicos ou a práticas transcendentais. Trata-se, em geral, de pessoas que nem acreditam no deus das religiões ou que fabricaram para si mesmas um deus tão vago, tão abstrato, tão indefinível, que acho que é só um modo de não confessar para si mesmos que são ateus.
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O que mais me incomoda em “ateus enrustidos” é que muitas vezes eles têm um lado condescendente com a religião, um certo medo de chocar os outros ao dizer o que eles realmente pensam, uma estranha vergonha de seu ceticismo. No caso particular desses que dizem “eu acredito na fé”, parece-me que o problema é uma compreensão meio vaga do sentido desse termo.
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Fé é uma palavra empregada em diversas expressões, como “tenho fé que vai fazer sol”, “vai com fé que dá certo” ou “Fulano não tem fé na vida”. Acredito que estamos, aqui, diante de expressões idiomáticas nas quais “fé” significa “confiança”, “boa-vontade” ou “otimismo”. Vou, então, tentar pôr os pingos no is e definir do que estou falando quando escrevo “fé” no meu texto. O sentido central desse termo, que está subjacente às expressões citadas acima, é o de convicção. Mas, se você olhar direito, vai perceber que essa convicção tem um componente importante: ela não é baseada em dados materiais objetivos, precisos. Imagine se um meteorologista afirmasse “tenho fé que o domingo vai ser ensolarado”! Ele não gozaria de muito crédito. Ou estaria gozando da nossa cara.
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Essa compreensão de fé como “convicção sem base material” é especialmente válida para aqueles que, em sua vida, costumam validar suas ideias e ações por argumentos sólidos mas que, confrontadas com o questionamento da religião, ao não encontrar u m modo de fundamentar sua crença, apelam para a chamada “fé”. Há também, como eu mencionei acima, aqueles que não creem, mas que dizem “crer na crença”, ou seja, têm “fé (confiança) na fé (crendice – dos outros)”.
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Para esses últimos, gostaria de explicar por que Richard Dawkins diz que a fé é a “mãe de todas as burcas”: somos ensinados a pensar que ter fé é algo positivo, mas ter fé signifgica simplesmente estar imbuído de uma crença que não se baseia em argumentos – estamos, na verdade, falando de um sentimento que pode impelir a fazer o bem, a ser gentil, a realizar grandes gestos de generosidade, mas também a condenar, oprimir e até matar, tendo como único respaldo uma ideia que vem do além e se transforma numa certeza individual que não admite negociação. Qualquer pessoa familiarizada com a história da humanidade vai perceber que as crenças fortes, o mais das vezes, serviram muito mais para atiçar do que para refrear nossos impulsos malignos. Como alguém já disse: “Sem a religião, pessoas boas fariam o bem e pessoas más fariam o mal. Somente a religião pode fazer uma pessoa boa praticar o mal.” Basta pensar nas Cruzadas, na Inquisição, nas burcas islâmicas, na excisão de clitóris de meninas de dois anos (prática corrente em muitas tribos africanas) e nos muitos atos de violência perpetrados contra mulheres, homossexuais, negros, crianças, “infiéis” diversos...
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Você pode também pegar esse exemplo de um homem que agiu inspirado por sua fé:

Convém lembrar que esse conceito de fé se aplica igualmente ao soldado nazista convencido da superioridade da raça ariana, ao oficial da KGB preocupado em defender o governo do proletariado ou ao general brasileiro dos anos 60-70 que trabalhava para garantir que nosso Brasil Varonil estivesse “em ordem”. É aquela história: fé cega... e faca amolada!

domingo, 29 de novembro de 2009

É HEXA!!!

Nunca falei sobre futebol nesse blog, e não devo voltar a falar tão cedo, mas depois de 17 anos com o grito de campeão entalado na garganta, finalmente posso dizer:
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CHUPA QUE É DE UVA!!!!!
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Me desculpem, mas com o Mengão campeão, je manque d'élégance.
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P.S.: Hoje vi na televisão um monte de repórteres comentando o fato de que o Andrade (o grande Andrade, diga-se de passagem) é um dos únicos treinadores negros do Brasil. Estavam dando bastante importância a esse fato, o que muito me surpreendeu: eu estava prestando atenção no excelente trabalho que ele realizou, e a cor da pele dele era a última coisa que me interessava. É sério, eu sinceramente nunca sequer pensei a frase "o Andrade é negro" - se bobear, ele podia ser verde que eu não teria reparado!

"Psychopathe", de Bénabar

Canção divertidíssima de Bénabar. Quer dizer, desde que você goste de humor negro... Não é um clipe oficial, mas vale a pena pra você escutar a música.
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Especialmente interessante, também, para observar contruções típicas do francês oral, como a supressão do "ne" da negação e do "il" de expressões como "il faut" ou "il y a". Sem contar no vocabulário e na famosa construção ne... que. Repare bem que, em y'a pas que toi qui as des problèmes, temos a negação dessa expressão, ou seja "não é só você que tem problemas". Se fosse y'a que toi qui as des problèmes, seria "só você tem problemas".
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Uma boa consulta a um dicionário on-line resolve a maioria das dificuldades. A letra, como sempre, se encontra no comentário. Se você, mesmo depois de pesquisar, continuar sem entender algo, não hesite deixar sua pergunta no comentário.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A expressão da restrição em francês

Uma das maiores pegadinhas para quem aprende francês é a construção NE + verbo + QUE, que tem cara de negação mas exprime, na realidade, a restrição, podendo ser traduzida como "só" ou "somente". Trata-se de uma tournure tão tipicamente francesa que os alunos raramente a assimilam, ainda que o professor volta e meia assinale sua importância e sua grande frequência de uso.
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Na verdade, o brasileiro que estuda francês costuma usar seulement para exprimir o que diria com nossa palavrinha só. Ainda que não esteja incorreto, soa quase tão artificial quanto dizer apenas ou somente em uma conversa coloquial. Assim, quando um aluno diz “il y a seulement dix personnes en salle de classe” (pensando “só tem dez pessoas em sala de aula”), ele não comete nenhum erro gramatical, mas um francês provavelmente diria “il n’y a que dix personnes en salle de classe”. A questão é que nós, professores, normalmente não vamos interromper uma conversa para acertar uma frase que já está certa e que seria perfeitamente compreendida por um falante nativo (corrigir o aluno às vezes atrapalha o diálogo, e estamos interessados no que ele tem a dizer); com isso, essa maneira não tão natural de falar acaba se cristalizando.
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O grande problema, na verdade, nem é dizer seulement, por mais que soe um pouco deslocado, mas deixar de aprender a construção NE + verbo + QUE, de longe a mais usada. Dessa forma, para dizer “Só estou com 20 euros aqui no bolso”, o natural é mandar um “Je n’ai que 20 euros sur moi” ou, seguindo a tendência de engolir o “ne” na fala corriqueira, “J’ai que 20 € sur moi”. Ao que alguém poderia responder: “Que ça?!” (“Só isso?!)
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Para fazer a restrição sobre o sujeito da frase ou sobre o verbo, é preciso usar tournures que parecem meio complicadas mas que são bastante correntes, como “Il n’y a que lui qui puisse régler ce problème” ("Só ele pode resolver esse problema"). Como você deve estar imaginando, em francês coloquial, costuma sair “Y’a que lui...” Já para focar a restrição sobre um verbo, usa-se faire para ajudar. Assim, a melhor forma de dizer “Ele só trabalha” é “Il ne fait que travailler” (“Ele só faz trabalhar”), sem esquecer da tendência a omitir o ne da negação no francês oral.
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Enfim, é preciso lembrar que há outras maneiras importantes de exprimir a restrição em francês: juste, rien que, c’est tout e seul.
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Com esse último, uma particularidade interessante: ele concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. Assim, repare o plural na citação de P. Hazard : “Seuls doivent compter les faits positifs” (“Só devem importar os fatos positivos”, ou “Somente os fatos concretos devem ser levados em conta”). Nossa expressão “Só Deus sabe” seria, em francês, “Dieu seul le sait”. Digo “seria” porque os franceses, comparados com os brasileiros, usam muito pouco essas expressões de origem católica – isso está ligado, segundo meu ponto de vista, ao fato de mais da metade dos franceses se declararem non-croyants (ateus ou agnósticos) e à cultura francesa de laicidade (religião é algo privado e ninguém precisa étaler suas convicções o tempo todo).
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Juste funciona como seulement, normalmente determinando substantivos. Assim, “Ele trabalha só três dias por semana” sairia “Il travaille juste trois jours par semaine” (ou “Il ne travaille que trois jours par semaine”). Juste também significa “justo” e “certo”. Por sinal, juste foi o ponto de partida para uma cena divertidíssima de Le dîner de cons. O personagem interpretado por Thierry Lhermitte tenta dizer a François Pignon que uma certa pessoa se chamava Juste Leblanc. Vendo a cena e a dificuldade de Pignon em captar a mensagem, você vai entender o que significa a palavra con, caso não saiba...



Rien que costuma causar estranheza, mas não é nenhum bicho de sete cabeças: “Rien que de penser à cette scène, j’ai envie de rire” (“Só de pensar nessa cena, fico com vontade de rir”). E a expressão “c’est tout” costuma ser usada no final da frase: “Je lis, c’est tout” (“Só estou lendo”).
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Viu? Só isso. OK, depois de um texto verborrágico como esse, você pode me olhar cinicamente e disparar: “Ah bon, c’est tout ?”

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ouïe sélective

L'ouïe sélective est un syndrome ontologique très répandu chez l'homme, et il demeure souvent méconnu auprès des femmes. Par exemple quand une femme dit :
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"Ecoute un peu ! C'est pas possible ce bordel ! Toi et moi, on va nettoyer tout ça ensemble. Regarde, toutes tes fringues traînent par terre et si on ne fait pas une lessive immédiatement, tu vas devoir te balader à poil. Tu me donnes un coup de main maintenant et quand je dis ça, je veux dire là tout de suite !"
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L'homme comprend :
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Ecoute un peu blablablabla toi et moi blablablabla ensemble blablablabla par terre blablablabla à poil blablablabla un coup blablablabla maintenant blablablabla là tout de suite !
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A ce jour aucune thérapie ne semble pouvoir soigner efficacement cette faiblesse auditive.
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De toute évidence les hommes concentrent leur attention sur l'essentiel uniquement. Quel esprit de synthèse prodigieux & exceptionnel !!!!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

"Qui de nous deux", de Mathieu Chedid - PROMOÇÃO BAIXE 2 CDs E GANHE MUITOS OUTROS!!

Nesse clip, vemos bem o universo de M, personagem criado pelo compositor Mathieu Chedid: a música envolvente, a guitarra rosa que o luthier Cyril Guérin criou para Billie (filha de M. Chedid) e o penteado sem igual. Você já deve ter percebido que eu gosto desse cara, né? A letra, como sempre, entontra-se nos comentários.
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P.S. 1: No antigo site oficial de Mathieu Chedid, estava escrito QUI2NOUS2 (que é o nome do disco também). Acontece que a preposição "de" e o numeral "deux" se pronunciam de modo quase idêntico (a diferença é que "deux" se fala com mais "força").

P.S. 2: Acabo de saber que Mathieu Chedid lançou o single Le roi des ombres e o álbum novo Mister Mystère. Além disso, tem um disco ao vivo, de 2005: -M- au Spectrum. E EU AINDA NÃO TENHO NENHUM DELES!!! Você não imagina o desespero que me bateu quando descobri todas essas novidades... Meu problema é que sou uma toupeira nessa coisa de télécharger (baixar) músicas. Assim sendo, lanço aqui uma promoção: quem baixar os discos para mim ganha um DVD inteiro com músicas ou filmes em francês. Quem se habilita?

sábado, 24 de outubro de 2009

Sem comentários

Este é o tipo de coisa que se leva a sério na Igreja Universal:

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Felizmente, algumas pessoas conseguem fazer arte a partir de algo tão monstruoso:
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A pronúncia e os acentos em francês - comemoração do 100° post

Se já fui chamado de "santo" por conta de meu texto Tempos verbais em francês e em português (que acabo de revisar e que, aliás, é o mais comentado do site), acho que, agora, vou virar padroeiro dos alunos de francês. Para "festejar" meu 100° post, vou explicar aquilo que muitos acham que não tem sentido nenhum: os acentos do francês. Espero que, depois de ler essa "pequena" explicação, você pare de achar que os agudos, graves e circunflexos têm apenas função decorativa.
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A primeira coisa a entender é que os acentos do francês têm, grosso modo, três funções:
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1) diferenciar palavras que têm a mesma pronúncia: mûr (maduro) e mur (muro, parede), sûr (seguro, certo) e sur (preposição com diversas traduções, entre as quais "sobre"), où (onde) e ou (ou), à (preposição traduzida, o mais das vezes, como "a") e a (3ª p. sing. do verbo avoir no presente). Não me vêm à mente outros exemplos, mas é só pra você entender que a pronúncia não muda.
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2) marcar o desaparecimento de um s que existia antigamente. Essa função é exercida pelo acento circunflexo; assim, em francês antigo havia um s ou outras letras mais em palavras como hôpital, fête, tête, bête, maître, château, fenêtre, vêtement, goût, côté, hôtel, arrêter, croûte, intérêt, ancêtre, forêt e pâte, entre outros. O s desaparecido dá as caras em outras palavras da mesma família: festival, déforestation, veste, déguster, hospitalité, intéresser, arrestation, ancestral...
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3) indicar a pronúncia correta. Em pares como cote x côte ou votre x vôtre, o acento marca a pronúncia fechada do o. Mas é com a letra e que os acentos mostram realmente seu talento. Aqui, você tem que esquecer do português: em francês, o acento não marca a "sílaba tônica"; por sinal, a ideia de sílaba tônica nem convém muito ao francês - é bom pensar que, fora as sílabas que têm um e não acentuado no final, todas são tônicas. É isso que dá a entonação ligeiramente "achatada" do francês. Ao contrário do que muita gente pensa, portanto, não é correto dizer que, em francês, "acentua-se a última sílaba".
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Feita essa primeira ressalva, vamos lá: É dá um som fechado; dessa forma, café, bébé e téléphoner se pronunciam "cafê", "bêbê" e "têlêfonê". È e Ê dão normalmente um som aberto; é por isso que après, célèbre e tête se pronunciam "aprré", "cêlébrr" e "tét".
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Já para o E não acentuado, quando ele não for seguido de uma consoante na mesma sílaba ou de um x na sílaba seguinte, das duas uma: ou não tem som nenhum, ou se pronuncia com um som meio seco e ligeiramente arredondado que fica difícil de explicar por escrito sem usar afabeto fonético. (O símbolo desse som em alfabeto fonético é um "e" de cabeça para baixo.) Pense na pronúncia do e sublinhado na frase seguinte: Je regarde le train depuis le balcon. Se necessário, use um sintetizador de voz ou pratique no melhor site que conheço sobre fonética do francês.
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Se o E for seguido de uma consoante na mesma sílaba ou de um x na sílaba seguinte, ele poderá ser aberto, fechado ou nasal, de acordo com a letra que o acompanhar. Veja alguns exemplos: em regarder, o e da primeira sílaba não tem acento porque se pronuncia com aquele som que eu não consigo explicar direito, já em répéter, os acentos marcam que se pronuncia ê; na última sílaba, porém, o acento não é necessário, porque o r já implica essa pronúncia - é a mesma coisa em terrible ou em ferré. Em direction ou em merci, o som se abre, por causa das consoantes. Em bien e je viens ou em emmener, emballage, trente e vent, o som é nasal (mas lembre-se de que, para os dois primeiros, é um som nasal, e para os quatro últimos, um outro).
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Ficaria cansativo explicar que contextos determinam cada pronúncia, e acho que nem é tão importante - a prática e a transcrição fonética do dicionário (desde que for em alfabeto fonético internacional e não com remendos em alfabeto convencional) dão conta do recado.
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Na verdade, quero te dar a regrinha de ouro para você não errar mais os acentos. Lá vai:
NÃO SE ACENTUA A LETRA "E" SE HOUVER UMA CONSOANTE NA MESMA SÍLABA OU SE HOUVER UM "X" NA SÍLABA SEGUINTE.
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É por isso que não se acentua o e nasalizado ou o e seguido de consoantes duplas, por exemplo (por sinal, se você parar para pensar, vai perceber que o x é uma consoante dupla). Nesse sentido, a função do acento sobre a letra e é exatamente a de especificar a pronúncia, quando necessário, e não a de marcar a "sílaba forte", como em nossa língua. Se fosse assim, como é que você pronunciaria hétérogénéité? Se fossem cinco sílabas tônicas, no modelo do português, você ia parecer que está soluçando. Bom, na verdade, você deve estar é bocejando depois de um texto tão longo. Mas espero ter esclarecido suas dúvidas. Au revoir (sem acento) !

Conteúdo atualizado

Acabei de dar uma revisada num antigo texto do blog. Quer dar uma olhada? Clique aqui.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Por que os franceses são antiamericanos?

Por que os franceses detestam os americanos? Por que eles tratam mal quem fala inglês com eles? São perguntas que alguns alunos me fazem, e a resposta não poderia ser mais chata: de onde você tirou isso?!
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O fato é que o tal antiamericanismo francês não passa de um mito. Nossos amigos gauleses não são mais "antiamericanos" do que os brasileiros, e o fato de eles (exatamente como nós) terem uma série de críticas aos Estados Unidos não os leva a detestar as pessoas daquele país. País que, diga-se de passagem, os franceses admiram em muitos aspectos.
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Um observador mais atento perceberá, ao contrário, nos filmes, desenhos animados e no jornalismo made in USA, uma considerável veiculação de estereótipos negativos sobre a França e seus habitantes. Alguns alunos já mencionaram maluquices do tipo "os franceses odeiam os americanos porque a França perdeu sua importância internacional para os EUA e porque o prestígio da língua francesa está decaindo" ou "os franceses se ressentem do fato de terem sido salvos da ocupação alemã pelos soldados americanos". Na verdade, essas ideias são alienígenas ao modo de pensar da grande maioria dos franceses, mas elas fazem parte do imaginário americano, que nós acabamos por assimilar, devido ao forte contato que temos com os produtos da indústria cultural norte-americana. (Por favor, não vejam aí nenhuma bandeira "USA GO HOME" - sou fã de muitos produtos dessa indústria cultural norte-americana; mas, assim como você, também não engulo qualquer baboseira.)
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O link abaixo é o de um site (escrito em inglês) que aborda o tema com numerosos exemplos e uma explicação bem clara. Dá pra navegar durante um bom tempo e se livrar de algumas idées reçues.
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Em tempo: idée reçue, literalmente "ideia recebida", são aqueles pensamentos pré-fabricados que normalmente não têm muito a ver com a realidade, do tipo "paulistas trabalham mais do que cariocas" ou "inglês é mais fácil do que francês".

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

na terra do sol

para acender uma vela para deus e outra
para o diabo, basta um
palito de fósforo
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a luz dançarina das velas
já não me aquece nem me fascina
só ilumina minhas mãos
e minha pena
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fito sem susto meu rosto
- concluo que um dia tudo
se atrapalha e atropela no próprio oposto
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o palito seguro
produzo o atrito
tudo um tiro
no escuro