quarta-feira, 13 de maio de 2009

Jô Soares entrevista Michel Legrand

Entrevista com o grande Michel Legrand, grande compositor de trilhas sonoras para o cinema e jazzista de mão cheia, com suas marcantes sobrancelhas de lagarta cabeluda. Dá para encontrar coletâneas dele no Brasil. Na entrevista, você talvez perceberá que algumas brincadeiras que M. Legrand faz não puderam ser traduzidas.
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Numa delas, talvez a mais criativa, ele explica como se apaixonou por Catherine, sua mulher. Ele começa com On s'est beaucoup plu ("gostamos muito um do outro") e, mais adiante, lança À l'averse. É preciso entender que, em francês, a forma plu é o participe passé dos verbos plaire (agradar) e pleuvoir (chover). Assim, on s'est plu significa, ao mesmo tempo, "a gente agradou um ao outro" ou "a gente se choveu". Essa última frase é, naturalmente, agramatical, mas aí é que está a graça, porque averse é uma chuva forte que vem de repente, como o amor de Legrand por sua mulher. Fica mais divertido se lembrarmos que uma das composições mais conhecidas de M. Legrand é o tema de Les parapluies de Cherbourg ("Os guarda-chuvas do amor" - Chergourg, na verdade, é uma cidade da Normandia, região com altos índices pluviométricos).
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Numa outra, logo no início, quando Jô brinca com as palavras harpiste (harpista) e harpie (harpia, ave de rapina muito grande e voraz), Legrand continua com artiste harpiste hors-piste (artista harpista fora da pista - como o ski mais radical), que nem foi traduzida.
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Abertura (escute com fones de ouvido para apreciar melhor)
1ª parte


2ª parte
Quando terminar de ver a entrevista, aproveite para escutar algumas músicas nos vídeos relacionados que vão aparecer.

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