domingo, 21 de agosto de 2011

"Je t'aime... Moi non plus" - qual é a sua versão favorita?

Falei bastante desse clássico no último post, que causou escândalo na época e que choca muita gente até hoje em dia (a meu ver, achar a música "engraçada" ou "cafona" é somente uma forma inconsciente de resistir a ela e tentar censurá-la). Pois é, falei muito, mas fiquei devendo a canção em si. Assim, seguem abaixo duas versões. Deixe um comentário dizendo qual delas você prefere.

1. Com Brigitte Bardot (1967, o ex-marido dela fez com que essa versão ficasse na gaveta por anos a fio):

2. Com Jane Birkin (1969):

Ah!, para quem ainda não sabe, o bonitão Gainsbourg teve um caso com La Bardot e foi casado com a fofinha Jane Birkin por vários anos.

E como falei dos problemas de tradução, segue abaixo a letra traduzida comme il faut (= certinho):

– Je t'aime, je t'aime. Oui je t'aime !

Eu te amo, eu te amo. Sim, eu te amo.

– Moi non plus
Eu também não

– Oh mon amour
Oh, meu amor

– Comme la vague irrésolue
Como a onda indecisa
Je vais, je vais et je viens entre tes reins
Eu vou, eu vou e eu venho entre as suas ancas
Je vais et je viens entre tes reins
Eu vou e eu venho entre as suas ancas
Et je me retiens
E eu me retenho

– Je t'aime, je t'aime. Oui je t'aime !
Eu te amo, eu te amo. Sim, eu te amo.

– Moi non plus
Eu também não

– Oh mon amour, tu es la vague, moi l'île nue
Oh, meu amor, você é a onda; eu, a ilha nua
Tu vas, tu vas et tu viens entre mes reins
Você vai e você vem entre as minhas ancas
Tu vas et tu viens entre mes reins et je te rejoins
Você vai e você vem entre as minhas ancas e eu me junto a você
Je t'aime, je t'aime. Oui je t'aime !
Eu te amo, eu te amo. Sim, eu te amo.

– Moi non plus
Eu também não

– Oh mon amour
Oh, meu amor

– Comme la vague irrésolue
Como a onda indecisa
Je vais, je vais et je viens entre tes reins
Eu vou, eu vou e eu venho entre as suas ancas
Je vais et je viens entre tes reins
Eu vou e eu venho entre as suas ancas
Et je me retiens
E eu me retenho

– Tu vas, tu vas et tu viens entre mes reins
Você vai, você vai e você vem, entre as minhas ancas
Tu vas et tu viens entre mes reins et je te rejoins
Você vai e você vem entre as minhas ancas, e eu me junto a você
Je t'aime, je t'aime. Oui je t'aime !
Eu te amo, eu te amo. Sim, eu te amo.

– Moi non plus
Eu também não

– Oh mon amour
Oh, meu amor

– L'amour physique est sans issue
O amor físico não tem saída
Je vais, je vais et je viens entre tes reins
Eu vou, eu vou e eu venho entre as suas ancas
Je vais et je viens, je me retiens
Eu vou e eu venho, eu me retenho

– Non ! Maintenant ! Viens !
Não! Agora! Vem!


Não sei se estou parecendo obcecado, mas se você quiser mais informações sobre a música, sua história e curiosidades, leia o artigo na Wikipédia.

sábado, 20 de agosto de 2011

Quando os tradutores dormem no ponto... e algumas dicas de vocabulário

Em meu texto anterior, comentei rapidamente a cochilada imperdoável do tradutor que fez as legendas do filme sobre a vida de Serge Gainsbourg: em vez de traduzir Je t’aime... Moi non plus como “Eu te amo... Eu também não”, o indivíduo perpetrou um “Eu te amo... Também te amo muito” ou algo do gênero. Não gosto de jogar pedra no trabalho de ninguém, mas essa bobeada comprometeu terrivelmente a compreensão do espectador que não fala francês. Além de que se trata de conteúdo ministrado em turmas iniciantes!

Lembro de quando, estando em meu primeiro semestre de francês, comecei a ler A Náusea, de Sartre. Em português. Logo no começo, o protagonista ia a um bar que ele dizia ser “cheio de celibatários”. Fiquei chocado. Eu já sabia que a palavra célibataire significa tanto “solteiro” quanto “celibatário”, mas o contexto indicava claramente que a melhor opção era “solteiros” ou “solteirões”. Por mais que “celibatário”, em nosso idioma, também tenha sua polissemia, o fato é que se trata de um termo muito marcado culturalmente, e isso tem que pesar na decisão do tradutor. Moral da história: perdi a confiança na tradução e larguei o livro de lado.

Lembro também, para voltar ao assunto do início, da cara de perdido de um aluno, alguns semestres atrás, quando expliquei o título da canção de Gainsgbourg. “Se ela diz ‘eu te amo’, não faz sentido ele responder ‘eu também não’”, estava estampado em seu semblante um tanto aturdido. “Pois é, a brincadeira é essa...”, justifiquei com um sorriso. Meu pupilo não pareceu muito convencido com meus argumentos, e acredito que o tradutor das legendas também não – talvez ele tenha tentado “consertar” o que lhe pareceu nonsense.

Como já deixei claro em diversas postagens anteriores (os links estarão disponíveis no final), passar de uma língua para a outra às vezes envolve caminhos tortuosos. Veja: em francês, “também” é aussi, mas “também não” é non plus. Se você inventar um aussi non, não terá dito nada com nada. Ah!, antes que eu me esqueça: aussi também significa “tão”, quando se faz uma comparação de igualdade ou quando se exprime uma exclamação:


Ton appartement est aussi ensoleillé que le mien. (“Seu apartamento é tão ensolarado quanto o meu.”)


Je n'ai jamais vu d'aussi belle femme ! (“Nunca vi uma mulher tão bonita!”)


Outra tradução possível é “assim”, quando se quer exprimir uma consequência:

Il était épuisé. Aussi a-t-il annulé ses rendez-vous. (“Ele estava exausto. Assim, cancelou seus compromissos” – repare que esse uso de aussi exige a inversão do sujeito. Daria para dizer a mesma coisa com donc: Il était épuisé, donc il a annulé ses rendez-vous.)

Ninguém quer que as coisas sejam fáceis demais; é por isso que “assim” também pode ser dito ainsi ou comme ça. O primeiro, de acordo com minhas observações empíricas, é mais usado na escrita, para exprimir uma consequência ou uma modalidade, ao passo que o segundo é a forma de preferência na oralidade quando se quer dizer “desse jeito”.

Pourquoi il parle comme ça ? (“Por que ele fala / está falando assim?”)

Na belíssima Bonoboo, Mathieu Chedid canta este verso, escrito por sua avó, a saudosa Andrée Chedid:

C’est ainsi que vaincu / sans une once de venin / sombrant dans sa tanière / disparut Bonobooassim que, vencido, / sem um dedo de veneno / afundando-se em sua toca / desapareceu Bonoboo)

Para não perder a carona, vamos lembrar que a expressão comme ci comme ça significa “assim-assado”, e pode ser usada no sentido de “nem bem, nem mal”. Bom, espero ter demonstrado que, se você não estiver alerta, vai acabar falando e entendendo comme ci comme ça. É por isso que eu te convido a ler alguns de meus posts antigos, cujos links você encontra abaixo:




terça-feira, 9 de agosto de 2011

Gainsbourg

Acabo de voltar do meu querido Cine Metrópolis, o cinema da UFES, onde assisti a "Gainsbourg: o homem que amava as mulheres". O título em português, que não tem nada a ver com o original (Gainsbourg : vie héroïque), só faz realmente sentido quando se conhece o personagem... ou quando se vê o filme. Diferentemente do que ocorre em "Piaf - um hino ao amor" (cujo título em original é Piaf - la môme, você descobre por que com um pouquinho de pesquisa), temos nessa produção uma narrativa que mistura o real e o fantástico. 

É nisso tudo que a citação que aparece logo no início dos créditos ganha todo o seu significado. Não vou contar qual é a citação, e aliás nem é isso o mais interessante: vá ver o filme em alguma sala de projeção, baixe na internet, dê seus pulos! Se você se interessa pela cultura francesa, se você gosta de música, se você tem tesão de cinema, você não pode perder essa viagem pela biografia de um dos maiores artistas do século XX. Confesso que o estilo de Gainsbourg já me causou certa estranheza, e por sinal eu adorava provocar minhas turmas de iniciantes com Je t'aime... moi non plus, na época em que dava aulas de francês. Aliás, é preciso alertar para o fato de que o tradutor deu uma cochilada feia ao traduzir esse verso de uma das canções mais emblemáticas do eterno Serge. As legendas apresentam um "Eu te amo... eu também te amo muito" (ou algo que o valha) sem sal e simplesmente errado. A tradução correta é "Eu te amo... eu também não". É a  aparente incoerência dessa linha que a torna tão brilhante.

Irreverente, iconoclasta, irresponsável... indecente. O protagonista, sempre acompanhado de  seu cigarro, suas orelhas de abano e seu nariz indescritível, era feio de doer e simplesmente irresistível. Teve as mulheres mais lindas a seus pés, escandalizou e seduziu a sociedade de seu tempo, e está à frente do nosso. Qualquer um que já curtiu uma fossa (ou uma décadence, fica melhor em francês) num boteco fodido, qualquer um que sabe o que é ser de carne e osso, qualquer um que sente que estamos nesse mundo para algo mais do que uma rotina em preto-e-branco já teve seu momento Serge Gainsbourg.

O filme é ousado, surpreendente, empolgante. Não pude fazer outra coisa ao deixar o cinema que não comprar uma cerveja e voltar a pé curtindo o vento e o cheiro da noite. Se tudo o que eu disse ainda não te convenceu a ver o filme, talvez você se anime ao saber que é simplesmente Laetitia Casta quem interpreta Brigitte Bardot, e que a atriz inglesa que encarna Jane Birkin também não é nada mal. 

Bom, acho que é a primeira vez que falo tanto de um filme aqui no blog. Normalmente, me contento em dar um resumo magrinho da história e colocar o trailer, mas a experiência que acabo de ter no Metrópolis me exige mais do que isso. Aliás, coloco abaixo dois trailers: o que deve ser o americano (com legendas em português) e o francês (sem legendas, désolé). Você verá como a mesma película pode ser apresentada de duas maneiras completamente distintas. Não se trata de preferir uma ou outra, mas de evidenciar a riqueza de que essa diferença é a prova.

Trailer:

Bande-annonce :

P. S.: Um de meus compositores preferidos, Georges Brassens, faz uma "pontinha", cantando em uma das cenas, um pouco como acontece em Piaf. Boris Vian, um gigante da chanson que ainda tenho que me dar ao prazer de descobrir, também dá as caras em um trecho inesquecível. Não pude me impedir de pensar nas superproduções que a Marvel vem lançando, em que o Homem de Ferro ou o martelo do Thor aparecem no filme do Hulk. Bem que podiam colocar a vida de Brassens na telona daqui a alguns anos... Ah, nunca ouviu falar de Brassens? Corra para a Wikipédia e para o YouTube, escute as músicas, busque as letras e as traduções delas, você merece o prazer dessa descoberta! Claro que o mesmo vale para Gainsbourg...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Para lembrar que o futebol pode ser uma arte

Como deve acontecer quando ocorrem alinhamentos especiais entre a Terra, o sol e as estrelas, essa é uma das raras vezes em que vou escrever sobre futebol aqui neste blog. Mas acontece que o jogo entre o grande Santos e o Mengão do meu coração, na quarta-feira passada, foi simplesmente o mais incrível, o mais emocionante que eu já vi, uma daquelas obras raras que deixam a gente feliz por muito tempo. A opinião não é só minha e gostaria de compartilhar com vocês a belíssima reportagem do Esporte Espetacular, com um texto primoroso de André Boaventura e a voz marcante de... Milton Gonçalves.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Aguardo ansiosamente o mês de outubro

Hoje de manhã, abro o e-mail e recebo a notícia de que -M- compôs as músicas de um longa de animação que vai ser lançado na França no dia 12 de outubro (dia do aniversário da minha mãe!). O filme se chama Un monstre à Paris e conta, justamente, a história de uma criatura que semeia o pânico na capital francesa em 1910. Perseguido pela polícia, ele vai buscar refúgio no cabaré onde canta Lucille, "o anjo de Montmartre", interpretada por Vanessa Paradis, que já fez muitas parcerias com Mathieu Chedid. Montmartre, para quem não lembra, é o bairro boêmio onde trabalha Amélie Poulain.

Não sei muito o que acontece depois mas, vendo o trailer e um trecho que está disponível no YouTube, realmente estou contando os dias para poder ver o desenho. Isso é, na esperança de que ele seja lançado no Brasil em versão original... Tenho fé no Cine Metrópolis!

Confira aqui o trailer

E, aqui, o trecho de que falei, com uma das músicas do filme:

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Chien et chat

Na semana passada, saiu o novo clipe da banda Glasgow, que é um pessoal da Escócia que faz rock francês. Ainda estou tentando entender, mas o fato é que a música é bacana e o vídeo, muito divertido. Passei alguns minutinhos procurando a letra mas, como não encontrei logo de cara (e como tenho muita coisa para resolver, o que explica meu sumiço do blog), deixo essa tarefa para os leitores. Se algum de vocês achar o texto ou se der ao trabalho de transcrevê-lo, não deixe de postar isso nos comentários.


Fora isso, você vai ver outros clipes legais nos vídeos relacionados. Para ler uma pequena resenha do álbum e praticar um pouco mais de francês, clique aqui.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

compensações


pode a queda ser dura
quando a verdade é nua e crua
porém o chão é o limite

pode o chão ser amargo
do pó do depois, da despedida
porém a vida não te larga

pode a vida ser longa e curta
própria aos percalços e aos tropeços
porém há sempre um recomeço

vai, corre como essa andorinha
que andava sumida e agora verão
que abre as asas e já não diz não
ao sabor do vento, ao calor do sol
nem que tenha outra vez que cair

15 de julho de 2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

NÓS

nus,
nós nos desatamos

luz,
no pós desatinamos

crus,
sós nos desancamos

cruz,
sóis nos eclipsamos

pus,
atrozes nossos amos

20 de junho de 2011

domingo, 6 de março de 2011

Dunkerque e o Carnaval

Quem ligar a tevê nesse feriadão dicilmente vai encontrar algo que não seja carnaval. Aos mal-humorados de plantão que podem achar que vou reclamar disso, minha sinceridade mais tranquila: Por que haveria de ser diferente? Isso lá é hora de pensar em outra coisa?!
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Àqueles que, como eu, gostam dessa festa, gostaria de lançar um convite: como todos já conhecemos as escolas de samba, os trios elétricos, o frevo e o maracatu que fazem a alegria de muita gente de norte a sul do Brasil, que tal conhecer um carnaval diferente? Nossa viagem hoje será para Dunkerque, cidade francesa perto da fronteira com a Bélgica que conheci no ano passado e que... bom, não preciso me dar ao trabalho de explicar muita coisa. Basta você conferir o chapître 11 da reportagem abaixo para ter uma noção do lugar.

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Mas é o carnaval que nos interessa hoje. Para compreender melhor essa loucura que anima Dunkerque por cerca de dois meses a cada ano, clique aqui para ler um pequeno texto explicativo e, em seguida, confira essa reportagem bastante completa:
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Como você deve ter percebido, nada de mulatas de biquíni, afinal está um frio de rachar. Mas você provavelmente identificou vários elementos presentes também na nossa folia. Ah!, você entendeu direito: é o prefeito de Dunkerque (que, desde 1989, é Michel Delebarre) quem joga o peixe disputado por aquele monte de doidos em frente ao Hôtel de Ville - que é a sede da prefeitura, e não um concorrente do Ibis. A tradição é antiga, e certamente serviu de inspiração para nosso Chacrinha, o Velho Guerreiro.
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Ao longo deste mês, vou lançar uma série de textos sobre a cidade de Jean-Bart e sobre o Norte da França, de maneira geral. Até a próxima!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"O CORTE", de Costa-Gavras

Na última postagem, mencionei a palavra coupe, que pode ser traduzida de diversas maneiras. Uma delas é "corte", no sentido de representação gráfica e de supressão (se você quiser ver todas as definições da palavra, clique aqui), mas "corte", na acepção de "rasgo" (um corte na pele, por exemplo), é coupure. "Levar um corte" (um "toco", um "fora") de uma mulher é prendre un râteau (um râteau é um ancinho: a metáfora aqui é a do jardineiro desastrado); em outras ocasiões, diríamos couper court (literalmente, "cortar curto") no sentido de impedir que alguém prolongue um assunto. A "cortada" do vôlei se diz em inglês mesmo, sem complexo nem antiamericanismo: un smash.
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Mas tem um filme de 2005, dirigido por Costa-Gavras (para conhecer a biografia do autor, clique aqui), cujo título em português é "O corte". No título original, é Le couperet, palavra que designa um cutelo, instrumento indispensável para quem quer preparar costeletas suínas.
O longa conta a história de um engenheiro que fica desempregado devido, justamente, a um corte nos efetivos de sua empresa (a tradução do título foi bastante inteligente, diga-se de passagem), causado, se bem me lembro, por uma délocalisation (transferência de uma atividade para outra região ou outro país, grande drama social dos operários europeus). Depois de dois anos sem conseguir uma nova colocação, o protagonista parte para uma solução radical...
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Aconselho você a alugar ou baixar o filme agora mesmo, mas, se quiser estragar um pouco o suspense, pode assistir à apresentação no Telecine antes:
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Não encontrei um trailer com legendas em português, mas você deve entender em espanhol:

sábado, 19 de fevereiro de 2011

COUP

Quem leu o vocabulário do futebol que eu linkei na última postagem deve ter percebido a recorrência do substantivo coup, palavrinha com um milhão de traduções, que deixa alguns alunos confusos. Mas não é nada de mais. Para começo de conversa, vamos nos entender sobre a pronúncia: [ku], a mesma de cou (pescoço) ou de coût (custo), e nenhum deles tem nada a ver com as calças. Se você pronunciar [kup], vai dizer coupe (corte - tipo de representação gráfica - ou corte de cabelo; copa - Coupe du Monde de fototball; taça - de sorvete ou sobremesa).
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Para compreender os diferentes sentidos que esse substantivo pode carregar, vamos partir daquele que é o central, etimologicamente falando: "golpe" (o baixo latim colpus deu origem aos vocábulos português e francês). Assim, coup d'État é "golpe de estado", coup de poing é "soco", coup de pied é "chute" e coup de tête, "cabeçada" (um golpe com a cabeça ou uma ação impensada, lembre no Zidane em 2006). Aliás, muitas das palavras formadas com o sufixo -ada em nosso idioma se tornam expressões com coup de em francês:
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coup d'oeil : olhada (pense em nosso "golpe de vista")
coup de marteau : martelada
coup de pinceau : pincelada
coup de couteau : facada
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Ou seja, qualquer ação ou movimento efetuados com um objeto ou uma patre do corpo, como os exemplos acima, dará origem a uma expressão com coup de. Em um texto anterior, comentei sobre essa tendência analítica do francês, que usa algumas palavrinhas versáteis como mise, prise ou coup para exprimir conceitos que normalmente correspondem a palavras criada por sufixação, em português.
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Voltando ao que dizíamos no início do parágrafo anterior, veremos que um coup de feu é um tiro de revólver ou pistola (um "golpe de fogo") e um coup de fusil eu não precisaria explicar... se não fosse, além do sentido literal, uma gíria para uma conta muito alta no restaurante ou no hotel (se você tentar traduzir o nosso "facada" e disser que levou um coup de couteau depois daquele jantar elegante em Paris, vão achar que você foi atacado por um maníaco).
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Alguns casos são curiosos:
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coup de fil : telefonema (literalmente, seria uma "fiada" - vale lembrar que muita gente diz "bater um fio" no sentido de "dar uma ligada", "telefonar")
coup de pouce : "mãozinha", ajuda discreta (literalmente, seria uma "polegarzada")
coup de vent : ventania
coup de foudre : raio; mas a expressão é mais usada para designar o "amor à primeira vista", aquele que nos atinge como uma descarga elétrica
coup de grâce : golpe de misericórdia
coup de dés : lance de dados ("Un coup de dés jamais n'abolira le hasard", obra de Mallarmé)
faire d'une pierre deux coups : matar dois coelhos com uma cajadada só
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Mas coup ainda pode designar um evento qualquer, como na expressão du coup, que equivale ao nosso "daí" (no sentido de "então"), ou o uso de determinado procedimento ("il a été massacré à coups d'insinuations absurdes"). Se você ouvir falar que alguém é um bon coup, isso significa que a pessoa é satisfação garantida entre quatro paredes. Agora, um coup bas significa, sem surpresa, um "golpe baixo", no boxe e em outras circunstâncias.
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Você já percebeu que, quando o assunto é coup... o buraco é sempre mais embaixo! Se quiser se aprofundar mais no assunto, vai encontrar um artigo bastante detalhado sobre essa palavra no TLF (Trésor de la Langue Française), o melhor dicionário de francês on-line que eu conheço. Basta clicar aqui.
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Para terminar, não custa nada relembrar o grande clássico Ne me quitte pas, em que Jacques Brel diz a sua amada que é preciso "esquecer o tempo dos mal-entendidos e o tempo perdido a descobrir como esquecer essas horas que matavam às vezes à coups de pourquoi o coração da felicidade".
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Para ver a canção interpretada pelo autor, clique aqui. O vídeo está legendado, com uma boa tradução - só achei estranha, justamente, a tradução de à coups de pourquoi... Você pode propor uma tradução melhor nos comentários. E pode, também, passar o tempo curtindo as muitas versões que essa música recebeu no mundo inteiro. Mas, quando escutar a Maria Gadú, faça isso unicamente para curtir o arranjo inovador e a interpretação, muito agradável. De maneira alguma aprenda a pronunciar com ela!!! Um dia ainda explico por quê.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mas que jeito de começar o ano...

Eu estava cheio de espeança de começar o ano quebrando o jejum sobre a França mas... parece que vamos ter de esperar mais alguns anos. Só que eu tenho um trunfo para não sair triste de nossos confrontos futebolísticos com os gauleses: se o Brasil tiver um desempenho inferior, eu faço pirraça e começo a torcer pour les Bleus.
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É o que muitos de meus conhecidos não entendem - eles acham que eu sou a favor da França. Nada disso! Quero ver nossa Seleção brilhar e golear, mas se a Équipe de France estiver com a bola mais redonda, aproveito de meu grande sentimento de francofilia e de meu senso de justiça para desejar que vença o melhor. Mas que fique bem claro que só faço isso com a França, com toda a licença que me dão minha profissão e minhas raízes familiares distantes (meu avô era neto de francês) - nem me passa pela cabeça virar a casaca para a Itália ou para a Argentina!
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Infelizmente, tive que me valer desse truque no último dia 9. Preferia ter inaugurado o blog em 2011 de outro jeito. Seja como for, caros amantes da língua francesa, seguem abaixo dois vídeos: a narração do gol do Benzema (você vai sentir saudades do Galvão), com a belíssima festa da torcida, e uma entrevista com o nosso novo carrasco e o camarada que fez o passe, Menez.
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Em tempo: Para os fãs da pelota que querem viajar na França e discutir sobre o assunto com os frequentadores dos PMU (Pari Mutuel Urbain, reduto em que muitos franceses assistem partidas de futebol), é só clicar aqui para ter acesso a um vocabulário bastante completo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Amadou et Mariam

No intervalo de minha aula de sábado, coloquei um disco de Amadou e Mariam, para que meus alunos tivessem um contato com a música envolvente desse casal maliense cuja história você pode conhecer clicando aqui. Para ter uma ideia do som que eles fazem (e aproveitar para "saborear" o sotaque africano), é só conferir os vídeos abaixo. As letras, como sempre, encontram-se nos comentários.
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Je pense à toi
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Beaux dimanches
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Chantez chantez

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Sénégal Fast-Food
Clique aqui para ver o clipe.
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Já trabalhei em sala algumas dessas canções: Beaux dimanches, com seu vocabulário típico do Mali, ilustrou uma aula sobre a diversidade da língua francesa; Sénégal Fast-Food me permitiu discutir com meus alunos diversas questões relativas à mondialisation (globalização) e, também, levá-los a perceber a maneira como o texto poético, bastante fragmentado, constrói uma narrativa. O clipe, por sua vez, não só ajuda a enteder a história, mas também a completa.
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Mas tanto Chantez chantez quanto Je pense à toi poderiam aparecer em uma aula sobre o imperativo, sobre os pronomes tônicos ou sobre a expressão da restrição em francês.
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P.S.: Como as estrelas de hoje são do Mali, lembrei que em Amssétou, canção de Mathieu Chedid  que mostrei aqui num dia desses, encontramos um jogo de palavras muito bacana: depuis que je suis loin de toi, je fais moins le Malien ("desde que estou longe de você, me faço menos de maliense", numa brincadeira com a expressão faire le malin, "dar uma de esperto").

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Prato "chics": Langue de bœuf en sauce

Muita gente pensa que alguns ingredientes são “chiques” e que outros não são dignos de chegar a mesas mais finas. Vejo pessoas que têm preconceito contra delícias como o músculo bovino e que ficam um pouco chocadas quando descobrem do que é feito meu bœuf bourguignon. Na verdade, para ficarmos no açougue, vamos deixar combinado que não há partes “nobres” e “plebeias” do boi – cada uma tem um uso específico: se você trocar o músculo por filet mignon, na receita mencionada acima, vai se decepcionar. (Aliás, é bom saber que, em francês, o termo filet mignon é, normalmente, usado para carne de porco; o bife de carne vermelha é mais conhecido como filet de bœuf.)
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Mas isso de que eu acabo de falar é, acima de tudo, certo preconceito. Também tem outra coisa que me incomoda, que é a frescura e o medo de experimentar. Assim, algumas pessoas sentem calafrios ao ouvir falar em buchada de bode, mas já comentei aqui sobre minha admiração por esse prato requintado. A dobradinha, por si só, é um espetáculo para quem tem bom paladar, ainda mais preparada dessa forma.
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Hoje, gostaria de escrever uma receita para outro corte muito injustiçado: a língua. Se você contar por aí que aprendeu uma receita de língua com legumes, provavelmente vão te olhar com uma cara de eca. Então diga que vai preparar uma langue de bœuf en sauce escortée de carottes et poireaux émincés (“língua de boi ensopada acompanhada de cenoura e alho-poró cortados em filetes”). Garanto que a receptividade vai ser maior!
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A receita é trabalhosa e vai te ocupar por cerca de duas horas. Além disso, não é propriamente barata e exige um monte de ingredientes. Enfim: Quer coisa melhor? Olha como fica lindo:

Ingredientes para 4 pessoas:
Língua
1 língua de boi de mais de 1 kg
2 folhas de louro
4 cravos
1 pedaço pequeno de canela
1 pedaço de anis-estrelado
2 folhas médias de louro
Grãos de pimenta-do-reino (a gosto)
Sal (pouco)
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Molho
4 tomates médios bem maduros, cortados em cubos
1 cenoura grande ralada
2 cebolas médias picadas
4 dentes de alho
1 bouquet garni com salsa, tomilho e 1 raminho de alecrim
Curry (a gosto, mas com moderação para não sobressair demais)
Pimenta síria (mesmas instruções que para o curry)
Canela em pó ou noz-moscada (uma pitada de levinho)
Maisena
Um pouco de óleo
Salsa picadinha para decorar
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Acompanhamento
Batatas cozidas al dente no vapor
Cenouras cortadas em tiras finas
Alho-poró cortado em fatias finas (pegue bem a parte das folhas, para ter um verde bem vivo)
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Modo de preparo
Tempere todos os legumes de acompanhamento com óleo de oliva e um pouco de sal e leve-os ao forno baixo, em refratários untados com azeite. Dê uma conferida de vez em quando para não deixar nada queimar. As cenouras vão desidratar um pouco, ganhando uma textura levemente crocante e acentuando seu sabor adocicado.
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Lave bem a língua e coloque-a em uma panela de pressão com os temperos. Cubra de água, tampe e deixe na pressão por 15 ou 20 minutos. Ao fim desse tempo, passe tudo pelo escorredor de macarrão (reserve os temperos – você vai colocá-los de volta no molho), deixe esfriar e depois, com uma faca bem afiada, corte a pele grossa que envolve a língua.
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Comece a preparar o molho: na panela de pressão: esquente o óleo e doure as cebolas e o alho. Acrescente os tomates, a cenoura ralada, o bouquet garni e a língua com os temperos do cozimento anterior. NÃO coloque sal. Acrescente água até cobrir, tampe e leve de novo à pressão por mais 10 minutos.
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Ao final desse tempo, recupere a língua e deixe-a esfriando. Passe o caldo no chinois (peneira de metal em forma de cone), apertando bem para extrair o máximo de líquido. (Também dá para passar no liquidificador, lembrando de retirar o bouquet garni antes, e peneirar em seguida.) Descarte a parte sólida peneirada e leve o molho de volta ao fogo (alto), acrescentando o curry, a pimenta síria e a canela. Enquanto isso, corte a língua em escalopes. Quando metade do caldo tiver evaporado, acerte o sal, coloque de volta os pedaços de língua para aquecer e acrescente 1 colher de sopa de maisena dissolvida em água fria, mexendo bem para espalhar. Quando o molho adquirir a consistência desejada, é hora de servir, preferencialmente com um bom vinho tinto.
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P. S.: De outra vez que preparei essa língua, enriqueci o molho com um pouco de cachaça envelhecida em carvalho e servi com polenta – ficou maravilhoso.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mais algumas coisinhas sobre discours rapporté

Minha última postagem fala sobre discours rapporté, um dos maiores calos no pé de quem estuda e ensina francês, mas não dei grandes indicações sobre como estudar o tema. Para me redimir, escolhi um site bacana que propõe a explicação e depois o exercício:
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Discours rapporté no presente:
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Discours rapporté no passado:


Antes de pôr a mão na massa, é interessante olhar a página página 28 do dossier do Intermediário 1, que dá uma série de verbos usados no discours rapporté, além de indicar as principais construções nele envolvidas. A partir da p. 44, o dossier também conta com um pequeno guia de conjugação verbal. (Esse guia busca levar o aluno a entender o funcionamento das conjugações em francês; em situações de urgência, a melhor solução é http://www.leconjugueur.com/)

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Para que ninguém reclame de falta de informação, seguem umas explicações que eu tirei de um artigo da Wikipédia:
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Transposition du temps des verbes

Si le verbe introducteur est au présent ou au futur, il n'y a aucun changement de temps dans l'énoncé cité :

Il me dit : « Je suis sûr que tu réussiras. » àIl me dit qu'il est sûr que je réussirai.

Si au contraire, le verbe introducteur est au passé (simple, composé ou imparfait), le présent de l'indicatif devient imparfait de l'indicatif, le passé simple ou le passé composé de l'indicatif deviennent plus-que-parfait de l'indicatif et le futur simple devient présent du conditionnel (c'est la « concordance des temps du discours rapporté ») :

Il m'a dit : « Je suis sûr que tu réussiras. » àIl m'a dit qu'il était sûr que je réussirais.

Synthèse :
Il dit: « Tu es en retard. » àIl dit que tu es en retard.
Il dira: « Tu as faim. » àIl dira que tu as faim.
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Il a dit: « Tu lis beaucoup. » àIl a dit que tu lisais beaucoup.
Il a dit: « Tu as reconnu Bill. » àIl a dit que tu avais reconnu Bill.
Il a confirmé: « Tu porteras une superbe robe. » àIl a confirmé que tu porterais une superbe robe.

ATTENTION : l'imparfait, le plus-que-parfait et le conditionnel restent inchangés !
« Il pleuvait. » àIl a dit qu'il pleuvait.
« J'avais commis des erreurs. » àIl a avoué qu'il avait commis des erreurs.
« Je ne ferais pas ça. » àIl a dit qu'il ne ferait pas ça.

Écologie et discours rapporté

Sexta-feira passada, depois de uma bela chuva de ideias, propus a meu grupo de Intermediário I um projeto para encerrar o semestre: a redação de pequenos textos sobre atitudes simples que podemos adotar em nosso cotidiano para ajudar a preservar nosso planeta. Esses textos serão devidamente revisados e farão parte de um site que vamos colocar no ar para expor o trabalho de todos e fazer passar essa mensagem tão importante.
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Como, além do trabalho sobre uma temática precisa, também temos um programa de conteúdos gramaticais a abordar (a retransmissão do discurso de outrem, ou discours rapporté), resolvi juntar os dois numa só proposta. Assim, os textos deveriam discorrer sobre um assunto específico citando ao menos cinco outras pessoas. Para facilitar a tarefa, resolvi desenvolver um tema ligado ao assunto, a fim de que os alunos tivessem uma noção precisa do que eu tinha em mente: um treinamento sobre a concordance des temps, que são as alterações sofridas pelos tempos verbais do texto original quando o verbo introdutor do discours rapporté se encontra no passado. .
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Dá para perceber que o negócio é espinhoso, ainda mais porque exige toda uma revisão dos tempos verbais, além do domínio de conteúdos trabalhados anteriormente (voz passiva, pronomes COD e COI, gérondif e participe présent...). Daí a importância de dar um exemplo. Fiz, portanto, um texto intitulado Résister à la société de consommation, no qual coloco em prática o que quero que meus alunos aprendam. A finalidade pedagógica me levou a forçar um pouquinho a barra  algumas alterações de tempos verbais não eram necessárias e há, evidentemente, um excesso de citações, mas tentei demonstrar algumas estratégias de discurso indireto, que vão da cópia quase direta à paráfrase que busca resumir e facilitar..
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No arquivo em .docx que você pode baixar clicando aqui, você encontrará, à esquerda, meu texto, que contém diversas marcas para chamar a atenção sobre o uso de conteúdos gramaticais trabalhados recentemente em sala de aula: os pronomes COD e COI estão em azul; os gérondifs e participes présents, em verde; os verbos ou expressões que introduzem o discours rapporté, em vermelho; os nomes das pessoas citadas estão em negrito e as citações indiretas, sublinhadas. À direita, você encontrará as frases citadas, com fonte cinza (perceba como alguns textos mais longos ou elaborados foram reformulados de maneira mais simples).

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Mais umas do meu cantor preferido

Em minha aula da última sexta-feira, tratando de um tema um tanto árido (o uso do gérondif e do participe présent, que você pode entender um pouco melhor clicando aqui), resolvi apresentar a meus alunos Le roi des ombres, canção presente em Mister Mystère, último álbum de Mathieu Chedid. 
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Àqueles que estiveram comigo e àqueles que gostam de música, ofereço o clipe dessa música e o de duas outras, na ordem em que elas aparecem no disco. Pode-se perceber a recorrência de alguns personagens e de certas imagens nos clipes. Vale lembrar que Mathieu Chedid criou uma espécie de alter ego, M, que se caracteriza pelas roupas excêntricas e pelo inconfundível penteado. O universo desse personagem caracterizou os três primeiros discos do artista (Le baptême, Je dis aime e Qui de nous deux - álbuns de estúdio, sem contar os ao vivo e os experimentais). 
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Em sua obra mais recente, que apareceu depois de 6 longos anos sem um disco solo com composições inéditas, Mathieu começou uma nova fase, marcada por um progressivo abandono do personagem que ele havia interpretado até então. O penteado esdrúxulo deu lugar a uma peruca, e o preto e branco substituiu os tons mais esfuziantes  encontrados nos clipes anteriores. Nos vídeos abaixo, podemos encontrar alguns passos dessa "libertação". A letra das três canções se encontra nos comentários.
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Est-ce que c’est ça?
Le roi des ombres
Amssétou

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

ACABOU A CAMPANHA

Acabou a campanha eleitoral. O Brasil elegeu sua primeira presidenta e acredito que teremos pela frente um horizonte melhor do que teríamos com a dupla PSDB/DEM. Em outras palavras, estou contente com o resultado! Não que vá me limitar a defender Dilma. Pelo contrário: passado esse momento, cabe a todos nós exercer nossa vigilância e nossa crítica, sem deixar de perceber os limites da ação dos poderes constituídos: parte importante da democracia se faz fora das urnas, pela ação dos cidadãos. Mas, nesse momento, vou comemorar um pouco, com licença.
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Em 2002, após a onda de pânico que o horário eleitoral dos tucanos tentou disseminar, simbolizada pelo célebre vídeo de Regina Duarte, a frase que resumiu a vitória de Lula foi A ESPERANÇA VENCEU O MEDO.
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Oito anos depois, com a campanha de Serra tendo sido manchada pelo ódio de setores religiosos fundamentalistas, por uma boataria sem nome (com a esposa do candidato do PSDB indo a igrejas dizer que Dilma "manda matar criancinhas"), pela atuação de uma imprensa que tentou como nunca manipular o público, acho que podemos cunhar uma nova frase: A VERDADE VENCEU A MENTIRA.
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Desculpem-me pelo entusiasmo mas, para mim, é um momento de alegria. Grande abraço.