sábado, 14 de agosto de 2010

BONOBOO

Fazia muito tempo que eu queria mostrar essa música aqui no blog. Bonoboo é uma espécie de primatas que se caracterizam por um nível de agressividade muito baixo. Para conhecer mais sobre o comportamento desses nossos priminhos e sobre o modo particular que eles têm de evitar conflitos, clique aqui (link para o artigo da Wikipédia em francês). A docilidade dos bichos em suas relações explica a introdução da música, lida por Andrée Chedid, avó de -M- e autora do texto. 
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Du haut de ses trois millions d'années, le Bonoboo dont je vais vous parler, race sensible préférant l'amour à la guerre, fut lentement éliminé par d'autres singes plus agressifs, dont nous sommes les heureux descendants...
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Para ter acesso à letra da música, basta entrar nos comentários. É bacana observar o uso do passé simple, que dá certa solenidade ao texto, assim como os apóstrofos "errados", que servem para indicar a maneira certa de cantar. (Para entender o uso dos apóstrofos, leia meu post sobre o assunto, clicando aqui; para entender melhor sobre o valor dos tempos verbais em francês, clique aqui.)


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ano novo e inverno em Paris

Gostou da ideia? A professora Carla, minha colega no Centro de Línguas, está organizando essa viagem. Eu fiz a mesma coisa em 2007 e o resultado foi ótimo, apesar de eu não ter sido tão chic quanto ela (fomos a Dijon, cidade fantástica, por sinal). Para maiores informações, baixe o folheto explicativo no link abaixo:

http://www.4shared.com/document/G5lkmV8T/Ano_Novo_e_Inverno_em_Paris.html

terça-feira, 10 de agosto de 2010

entrudo

....tropeço entre estar
....................ébrio
...............e sóbrio
............não é brincadeira
..o que me sobra
..................é
................só
...........meu brio

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Le petit Nicolas

Você tem que ver esse filme! O pequeno Nicolau (Le petit Nicolas) está em cartaz no Cine Metrópolis, nos seguintes horários: 16h10 e 17h50, e conta as aventuras de um bando de moleques muito engraçados que buscam uma solução para o grande problema que vai acontecer na vida de Nicolas: a chegada de um temível irmãozinho! Trata-se de uma adaptação para a telona dos livros de mesmo nome, escritos por René Goscinny (o autor de Astérix & Obélix).
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Diversão garantida para crianças de todas as idades.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"Difficile à" ou "difficile de"?

O uso das preposições é um dos aspectos mais espinhosos no aprendizado de línguas estrangeiras. Mas, para a questão colocada no título desta postagem, acho que posso dizer que não é nenhum bicho de sete cabeças. Antes de mais nada, é importante destacar que a regra que será mostrada aqui não se aplica somente ao adjetivo difficile.
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Vamos a dois exemplos para você entender:
Ce livre est difficile à résumer. ("Esse livro é difícil de resumir")
Il est / C'est difficile de résumer des oeuvres littéraires. ("É difícil resumir obras literárias")
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A regra é tão simples que eu acho até constrangedor enunciá-la: nesse tipo de construção que envolve adjetivos e infinitivos, quando se usa "de" em português, usa-se à em francês; quando não se usa nada em português, usa-se de em francês. Convém lembrar que, no segundo caso, estamos diante de construções impessoais do tipo il est (ou c'est, em linguagem informal) + adjetivo + de + infinitivo.
Assim, temos:
Il n'est pas facile de trouver ce disque dans les magasins. ("Não é fácil encontrar esse disco nas lojas")
Ce disque n'est pas facile à trouver dans les magasins. ("Esse disco não é fácil de encontrar nas lojas")
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Espero que este texto não tenha sido difficile à comprendre.

As touradas e a diversidade cultural

O parlamento da Catalunha aprovou uma lei que proibirá as touradas naquela parte da Espanha a partir de 2012, o que provocou entusiasmo nas associações de defesa dos animais, que esperam um efeito de "contágio" em outras regiões do país ibérico (efeito considerado pouco provável pelos especialistas). Do lado oposto, forte reação daqueles que querem defender a "tradição cultural" das corridas.
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Vamos direto ao ponto: tradição cultural é o escambau! Trata-se simplesmente de um espetáculo sádico, deplorável e completamente incompatível com o senso de civilização. NÃO me desculpem pelo radicalismo. É isso mesmo. Os defensores das touradas podem dizer o que quiserem, mas aplaudir um maníaco que se diverte torturando e assassinando um animal inocente é um absurdo inaceitável. Uma das coisas mais nonsense que já ouvi em sala de aula veio de um aluno de quem eu gosto muito. Sabem o que ele disse? "Professor, eles comem o touro depois." Aaaaaah, então tá, por que nunca me disseram isso?
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(Que fique bem claro que não tenho nada contra o abate de animais para a alimentação humana. Somos primatas onívoros e temos o direito de comer carne. Mas isso não nos autoriza a humilhar e maltratar os seres vivos que nos servem de sustento.)
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Os relativistas de plantão e os intelectuais preocupados em preservar a "diversidade cultural" (expressãozinha que ganhou ares de dogma supremo do pensamento universitário) podem dar um milhão de argumentos. Não quero nem saber! O único momento interessante de uma corrida é quando o animal vence.
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E você, o que acha?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A raiz de todo mal?

Algum tempo atrás, expliquei por que me incomodava tanto a maneira como a fé é valorizada em nossa sociedade. Se o tema te interessa, clique aqui para ler meu texto. Confira, também, o documentário A raiz de todo mal?, apresentado por Richard Dawkins, de quem já falei algumas vezes. Você vai ver que as legendas dão umas escorregadas no potruguês e que em alguns momentos a tradução poderia ter sido mais feliz, mas nem por isso deixo de agradecer pela gentileza do camarada que postou esse vídeo no TouTube.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mais Festa da Música

Falando nisso, seguem duas apresentações da edição do ano passado (são as únicas que encontrei no Youtube) que mostram bem o espírito de diversidade da Festa da Música:

Uma apresentação em japonês:

Uma apresentação em espanhol:

4ª FESTA DA MÚSICA EM VITÓRIA

Divulgando nossa festa:
Acontece no dia 19 de junho de 2010 a 4ª Festa da Música em Vitória, cuja realização se faz possível graças à iniciativa do Centro de Línguas para a Comunidade, da Associação dos professores de Francês e da Aliança Francesa de Vitória.
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Essa festa tem origem na França, onde ocorre anualmente há mais de duas décadas. Todavia, esse evento vem-se expandindo pelos países dos cinco continentes. No Brasil, ela acontece em várias cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Brasília, Fortaleza, entre outras. A festa reúne amantes da música, seja ela francesa, brasileira, italiana, espanhola, inglesa, japonesa, alemã, etc.
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Interessados em se apresentar poderão se inscrever através do e-mail frances@clinguas.com.br. É necessário informar o nome do(a) inscrito(a) e da música a ser apresentada. Maiores informações com a Profª. Angela pelo e-mail angmariesilva@yahoo.com.br. Seja cantando, dançando, tocando algum instrumento ou prestigiando o evento, sua presença é muito importante!
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Local: Auditório do CCJE (Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas)
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Início: 17h30.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

PLUTÔT

Depois de alguns anos como professor, a gente percebe que algumas palavras extremamente importantes quase nunca aparecem na fala dos alunos. Talvez a causa seja o material didático, que não aponta a importância desses vocábulos, ou a dificuldade de levar os alunos a ter um contato mais intenso com documentos autênticos na língua. Penso que a chave do aprendizado é prestar muita atenção ao que é visto em sala de aula, mas não se limitar a isso: é preciso ter espírito de pesquisador, é fundamental guardar a curiosidade e futucar textos dos mais diversos tipos, assistir vídeos na internet, buscar aprender sobre a cultura que se tenta conhecer (na própria língua, de preferência, ou em português mesmo, se for bem no comecinho do estudo).
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Mas do que eu gostaria mesmo de falar, hoje, é de uma palavra que me parece ilustrar perfeitamente o que mencionei acima: plutôt. Esse advérbio (que tem bem mais de uma tradução) é, a meu ver, bem representativo de um modo francês de pensar. Vamos a alguns exemplos que não terão a pretensão de ser exaustivos (essa palavra é um verdadeiro universo, consulte o TLF, o maior e melhor dicionário on-line que eu conheço). Termino com um rápido comentário:
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– Tu l’as trouvé comment, ce film ? (O que você achou desse filme?)
– Plutôt bien. (Até que é legal.)
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C’est intéressant comme livre mais c’est plutôt bizarre.
(É um livro interessante, mas é meio esquisito.)
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Il est plutôt barbant, celui-là !
(Aquele cara é meio chato! – mesmo que você ache o sujeito um mala sem alça total. Embora você possa dizer de modos bastante expressivos (bastante mesmo, acredite em mim!) que você não aguenta o camarada, percebo que o eufemismo e certo tipo de ironia são mais frequentes na França do que no Brasil.)
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La musique de cet artiste mélange différents styles mais je crois qu’il fait plutôt du rock.
(A música desse artista mistura diferentes estilos, mas eu acho que ele está mais pro rock.)
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C’est une proposition polémique mais je suis plutôt pour.
(É uma proposta polêmica, mas eu sou mais favorável do que contrário a ela.)
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Plutôt que d'être sur FACEBOOK, je devrais être avec the FACE on the BOOK.
(Em vez de ficar no FACEBOOK, eu deveria ficar com the FACE on the BOOK.)
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– Tu viens avec nous au concert de “Parangolé” ? (Você vai com a gente no show do Parangolé?)
– Plutôt mourir ! (Prefiro morrer!)
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Como você percebe, plutôt, que vem de plus tôt (“mais cedo”) pode ser comparado a um dos usos da palavra portuguesa “antes”, quando ela indica a preferência. Acontece que, em nossa língua, trata-se de um uso meio (plutôt) literário, reservado de preferência (plutôt) a provérbios ou à língua culta, enquanto que, em francês, é coloquial. Prefiro até dizer (je dirais plutôt) que creio que a frequência relativamente grande desse advérbio está ligada ao temperamento francês, que me parece preferir expressar suas opiniões mais (plutôt) com meios-tons do que com cores berrantes. (É uma impressão pessoal, posso estar enganado, mas bom...)
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Claro que há diversos sinônimos e que, se você quiser traduzir o parágrafo acima, não precisa repetir plutôt tantas vezes. Escrevi daquele jeito mais (plutôt) para brincar um pouco. “Mas quais são os sinônimos, professor”, pergunta alguém do outro lado da linha. Um sujeito meio (plutôt) escroto responde: “Bom tema para você pesquisar, né? Lembra do que eu falei lá no alto?”

sexta-feira, 14 de maio de 2010

la nouvelle lune

l’océan s’étend entre moi
et elle, dans ma pensée,
elle est la nouvelle lune,
elle est là même
si je ne la vois pas
encore
si, je la vois quand je m’envole
quand j’enlève le voile
quand je déplie mes ailes
pour aller à sa rencontre
dans mes rêves je la devine
blanche sur la nuit sombre
au-dessus de la mer
au-dessous je sombre
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mon élan est lent
me voilà devenu une île
perdu dans cet océan
je souffre, je sens le souffre
moi, le volcan, j’attends :
le vol, quand ?
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quoi que je fasse, où que j’aille,
jaillit la lave que ses mots éveillaient,
jusqu’à ce qu’il niais que le détail
de ces sourires imaginés
derrière le silence de la distance
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le non-dit inonde cet océan
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« hélas », je pense
et là, je pense : « elle
est ma nue, elle
me réchauffe
de la lueur qu’elle émane, nue
dont je ne tombe point, nue
que je ne vois
guère que je déclare
ascète mer qui nous sépare »
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il est tard et elle se couche
quelque part dans l’horizon
la voix éraillée, je crie ma joie
aux quatre vents, en voyant
la voie émaillée qui se décrit
sinueuse sur la mer : mon itinéraire
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bien ou mâle, je la suivrai

Entre o livro e a liberdade

Depois de um longo período de hibernação, me voilà de volta ao blog. Hoje, quero compartilhar com vocês minha alegria de ver minha participação no coletivo Entre o Livro e a Liberdade, exposição de poesias ao ar livre realizada em Portugal, da qual minha amiga Anne Ventura falou duas vezes em seu blog (clique para ler o primeiro texto dela e o segundo). Enviei três poemas e a Anne topou com um deles (a exposição é enorme, então foi sotre minha ela ter encontrado o texto).
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Seguem abaixo as fotos que ela tirou, que não me deixam mentir. O texto, já publicado aqui, se chama minúsculo.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Les Ramens - como andam suas capacidades de tradutor(a)?

Esse cara faz uma música muito legal, usando um aplicativo para IPhone chamado EveryDay Looper. Quando você começa a assistir, pode achar que é uma bobeira, mas à medida que ele vai acrescentando novos sons e fazendo a mixagem, o resultado é impressionante.
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O texto também é bastante divertido. Diz o seguinte:
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Faire les courses j’ai trop la flemme,
je ne mange plus que des ramens,
qui ont le même goût
poulet en poudre,
mais que c'est bon.

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Para quem estuda francês, há muito o que observar nesse vídeo:
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1 - Observe nosso amigo Ed pronunciando o "e" não acentuado em final de sílaba (marcado de vermelho no texto). Não apenas escute, mas preste atenção na articulação labial: é desse fonema (cuja transcrição fonológica é [ə]) que eu falei em meu texto sobre os acentos em francês. Você vai ver que ele é completamente diferente dos fonemas [e] ou [ɛ], marcados de verde. Coloquei da mesma cor porque muitos franceses tendem a aproximá-los bastante, privilegiando uma articulação mais "fechada".
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2 - Por falar em "e" não acentuado, repare que, quando ele se encontra em final de palavra, simplesmente some. Em algumas regiões no Sul da França, costuma-se pronunciá-lo como o som marcado de vermelho mas, no resto do país, ele é "engolido" numa boa. Olhe bem as letras em cinza.
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3 - Outro detalhe interessante é a maneira como as palavras em inglês são pronunciadas em francês. Na introdução, ele diz várias: everyday, looper, cool, IPhone. Por favor, veja bem que os franceses pronunciam o inglês à moda francesa da mesma maneira que os brasileiros pronunciam com o sotaque tupiniquim. Não tem nada da antiamericano nisso. Já falei sobre isso outro dia.
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4 -
Ainda em termos de pronúncia, fique de olho / ouvido vivo na oposição entre [u], marcado de lilás, e [y], marcado de azul.
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5 - Com relação à gramática, leia minha postagem sobre a expressão da restrição em francês para ter certeza de que entendeu direito o segundo verso.
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Mas eu já te dei muita coisa de mão beijada. Que tal você colocar uma tradução da letra dessa música nos comentários? Evidentemente, não peço uma versão em português, apenas o texto na forma mais natural / coloquial possível em nossa língua.
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Grande abraço.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

MOZÉS: ERÉS CODÓ!!

Confira o vídeo desse "pastor muito louco". Só para informação: o que ele queria dizer com "Erés codó" é Eretz Kodesh ("terra sagrada", em hebraico - nada que o Wikipédia não resolva).

Como sempre, rir é o melhor remédio. Confira também a versão funk:



sexta-feira, 9 de abril de 2010

2 entrevistas com Chico Buarque

Como a gente provavelmente nunca vai ter o prazer de bater um papo com o Chico Buarque, fica aí para vocês o que nosso grande poeta diz sobre o racismo no Brasil. Com leveza e inteligência, Chico mostra o absurdo de haver tanta gente se achando "branca" num país que tem na mestiçagem sua maior riqueza. (Para quem pensar em meu texto sobre o Dia da consciência negra, vale dizer que o fato de o racismo contra os negros ser uma realidade inegável não justifica nenhum tipo de "racismo compensatório" contra os supostos brancos.)
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Mas como nosso querido Chico, além de grande compositor, ainda é poliglota, segue uma entrevista bastante irreverente que ele deu a uma televisão francesa, provavelmente no início dos anos 90. Ainda dá para curtir algumas músicas. Uma boa alma se deu o trabalho de traduzir a entrevista, então vou passar esse belo trabalho adiante, colocando-o nos comentários. Caso você encontre algum erro, deixe num comentário.
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(Longe de mim querer colocar Chico Buarque para baixo, mas ele comete uns errinhos aqui e ali. Coisa boba, provavelmente distrações, porque ele fala muito bem mesmo. Mas você é capaz de identificar esses pequenos deslizes? Coloque a resposta nos comentários.)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Por que, em francês, a negação é composta de duas palavras?

Em 7 anos ensinando francês, já perdi a conta de quantas vezes usei aquele cacoete aprendido com uma antiga professora: sempre que alguém esquecia de usar o pas da negação, ela dava um tapinha no quadro ou na própria mão, para fazer um "pá" e a gente não deixar a negação pela metade.
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Antes de entrar no assunto que me interessa hoje, convém lembrar que nem toda negação leva pas, como mencionei numa postagem recente. Não vou entrar em detalhes porque basta você consultar uma gramática ou o dossier do B1. O que eu gostaria é de responder à pergunta que, por razões compreensíveis, não costuma ser abordada nos livros didáticos: Por que, em francês, a negação é composta de duas palavras?
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O fato é que ne (muito frequentemente n', clique aqui para revisar) contém apenas um e sem acento e, portanto, é uma palavra muito fraquinha: se bobear a gente nem ouve. Assim, já na Idade Média, os falantes de francês sentiam necessidade de marcar a negação de modo mais claro, e para isso empregavam alguns monossílabos, de acordo com o verbo. Exemplos:
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Je ne marche pas. Je n'avance pas. (Eu não ando / avanço passo.)
Je n'écris point. (Eu não escrevo ponto.)
Je ne dis mot. (Eu não digo palavra.)
Je ne mange mie. (Eu não como migalha.)
Je ne bois goutte. (Eu não bebo gota.)
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Como se pode ver, os verbos tinham a ver com o sentido específico dessas palavras (que até hoje continuam substantivos autônomos, já fiz até um poema brincando com isso). Ao longo do tempo, pas se generalizou como o mais importante desses auxiliares de negação, passando a ser usado no lugar dos outros. Em francês culto escrito, ainda se pode encontrar exemplos dessas antigas negações, especialmente com point, que funciona como uma negação um pouco mais enfática do que o simples pas. Há diversos provérbios e citações bíblicas ou literárias com point.
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Na língua falada de hoje em dia, por outro lado, só se ouve pas, a não ser nos casos em que a presença de uma outra palavra de sentido negativo (plus, jamais, personne, rien, aucun) já dá conta do recado. Na verdade, a tendência na oralidade é "engolir" o ne / n', que é a parte menos importante da negação. Ainda assim, é importante lembrar que o francês rebuscado (la langue soutenue) admite a formação de algumas negações apenas com o ne, especialmente com os verbos savoir e pouvoir. É célebre a frase do Tartuffe de Molière: Cachez donc ce sein que je ne saurais voir. "Esconda esse seio que eu não saberia (= poderia) ver." Um outro exemplo: je ne peux vous répondre ("não posso lhe responder"), que normalmente se diz je ne peux pas vous répondre.
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Há, entretanto, construções com ne (sem pas) que não são negativas: o chamado ne explétif, ao qual já fiz alusão outro dia, e a construção ne... que, que já mereceu uma postagem bem detalhada.
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Para terminar, vamos apenas recordar que a negação com duas palavras também existe naquela língua exótica chamada português: devido à nossa inclinação a pronunciar o "não" como "num" (em muitíssimas situações, pronunciar "não" muito direitinho soa até antipático), sentimos necessidade de jogar um outro "não" ou um "nada" no final da frase. Vem à minha mente o eco de antigos diálogos com minha avó:
- Para de ler e vai dormir, menino!
- Num vou, não! (Ou simplesmente "vou não") Eu vou dormir na hora que quiser!
- Vai nada!
(Fim de papo.)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Quem quer trocar uma Bíblia por uma revista pornô?

Clicando aqui, você pode conferir uma pequena discussão sobre uma campanha bem polêmica realizada por estudantes da Universidade de San Antonio, no Texas (EUA). Eles ofereceram a seus colegas uma revista ou vídeo pornográficos em troca de uma Bíblia. O objetivo era evidenciar que o Antigo Testamento é tão misógino e sexista quanto as revistas de mulher pelada ou os filmes pornô. Após a apresentação da campanha por seu idealizador, você tem a reação de um ativista cristão, que lançou uma campanha oposta. Cada um defende seu ponto de vista, você lê um pouco em francês para treinar e tira suas próprias conclusões.
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É claro que, se você conhece meu blog, sabe muito bem de que lado estou, então não vou fingir que sou imparcial: o que mais me escandaliza no texto do cristão é exatamente que ele chame de escandalosa a publicidade ateia (que eu já mostrei outro dia, clique aqui) que dizia "Deus provavelmente não existe, então pare de se preocupar e aproveite a sua vida". (Lógico que, quando um religioso diz que quem não acredita em Deus vai queimar por toda a eternidade no inferno, isso não é nada ofensivo, não é?)
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Como os textos são em francês e eu estou de muito bom humor, segue um pequeno vocabulário que pode facilitar a sua vida:
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broyeuse : trituradora (não me parece o melhor lugar para se colocar um livro, seja ele qual for)
brûler : queimar
cocon : casulo; "ninho", em sentido figurado
être à court de : estar em falta de
mal prendre quelque chose : levar algo a mal
musclé : musculoso; tenso, difícil (quando se trata de uma discussão)
pancarte : cartaz de segurar
rabaisser : rebaixar
réagir au quart de tour : reagir imediatamente
y compris : inclusive
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Além disso, vou colocar nos comentários um pequeno vocabulário ligado ao assunto, para matar sua curiosidade, já que seu professor provavelmente não vai ensinar isso em sala de aula. (Não coloco dentro da postagem porque as palavras "de baixo calão" poderiam chocar alguns leitores.)

"Je ne t'aime plus", de Manu Chao

Um monte de gente pensa que Manu Chao é sul-americano, de tanto que ele gravou em castelhano (sem sotaque, porque ele é bilíngue) e visitou nosso continente. Mas ele é francês, e seu nome verdadeiro, José-Manuel Thomas Arthur Chao, deixa clara sua origem espanhola.
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Abaixo, você confere uma de suas composições mais conhecidas, que eu passo para minhas turmas de Básico 1 e que é uma verdadeira aula sobre a negação em francês. Não tem nenhuma frase com pas, mas tem a negação do infinitivo e do partitivo, o uso de plus, jamais, plus jamais, plus rien, uso do n', omissão do ne em diversas frases... O melhor exemplo, para mim, o que condensa vários do fenômenos mencionados, é o trecho tellement y a plus d'espoir, que é a forma oral de tellement il n'y a plus d'espoir ("de tanto que não há mais esperança"): repare que, além de não conter o pas, por se tratar de uma negação com plus, ainda tem a supressão do ne e do pronome il; como se não bastasse, é um exemplo de negação do partitivo. Enfim, uma festa para o professor, parece até que foi feito de propósito!
(Antes de passar ao clipe, vamos lembrar que o uso do apóstrofo segue regras bem precisas, que você aprende lendo meu texto, e que a presença de ne em uma frase não indica necessariamente uma negação, como já expliquei em outra postagem.)
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A letra, como de costume, está nos comentários.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Quelque chose à te dire - ENCARE O DESAFIO!

No embalo da última postagem, segue a sugestão da leitora Priscila Milanez. Quelque chose à te dire está em cartaz no Cine Metrópolis (na UFES, em Vitória, ES), às 17:00, com o título "Algo que você precisa saber". Veja a resenha e o trailer:
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Os Celliers formam uma família comum - isso levando em conta que todas as famílias têm problemas. Mady, a mãe, é uma sexagenária que passa o tempo reclamando do marido, Henry, que dia após dia experimenta uma regressão desde que deixou a direção de sua empresa. Antoine, o filho mais velho, assumiu o posto do pai, mas é incapaz de dirigir os negócios - já à beira da falência. Alice, uma das irmãs, pinta compulsivamente desde que abortou duas vezes e é dependente de antidepressivos. E Annabelle, enfermeira numa unidade de cuidados intensivos, tenta desesperadamente salvar os seus parentes e acha que isso é possível pela leitura de mapas astrológicos. O universo dessa família desestruturada começa a mudar, repentinamente, com a chegada do policial Jacques.
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Ainda não vi o filme, mas parece ser um bom exemplo do que considero o encanto do cinema francês: produções que não se encaixam facilmente em nenhuma categoria, dramas que emocionam sem ser piegas ou apelar a clichês batidos e que, não raro, fazem sorrir. Você sai do cinema como se tivesse batido aquele papo maneiro com um grande amigo.
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Alguns alunos me disseram que Quelque chose à te dire é excelente, então vou fazer o possível para não perder. Quem sabe a gente se esbarra no cinema?
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Mas, para terminar, gostaria de lançar um desafio: as legandas estão ótimas, mas uma delas (no começo do trailer) está errada e outra (mais pro final) está incompleta, faltando uma frase inteira. Você é capaz de identificá-las e propor uma correção? Deixe um comentário.