terça-feira, 12 de outubro de 2010

Veja que vergonha!

Esta campanha eleitoral tem sido marcada por um absurdo terrorismo religioso que visa simplesmente a favorecer o candidato tucano. Trata-se, de fato, de um grande retrocesso em matéria de debate político, como bem indica um artigo no site do UOL que você confere clicando aqui. Na verdade, as posições de Serra e Dilma sobre o aborto são semelhantes (aliás, esse é um dos pouquíssimos pontos positivos do Vampirão, se não o único). Veja os vídeos abaixo:
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Fala de Dilma a respeito da campanha feita contra ela na Internet 
Padre Léo em discurso bem católico contra José Serra
Percebemos que os dois candidatos assumiram posturas visivelmente populistas de ocultar suas reais posições sobre o aborto, a fim de não perder votos. Isso é compreensível no processo eleitoral, ainda mais num país onde a população, extrememante religiosa, ainda não tem maturidade para discutir essa questão à luz da concepção de um Estado laico, sem simplificar, com as bitolas de um moralismo estreito, o drama humano que o aborto representa.
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Na famosa entrevista à IstoÉ, de onde saiu uma das frases da capa da revista, Dilma explica bem sua posição: pessoalmente, ela é contra o aborto, e por sinal ninguém é "a favor", mas trata-se de uma questão de saúde pública que não pode ser abordada sob um prisma religioso. Não adianta ficar com hipocrisia e deixar um monte de mulher pobre fazendo o procedimento com açougueiros assassinos. Claro que a Veja tirou a frase de seu contexto para fazê-la significar outra coisa! Ainda com relação a isso, tentei achar no YouTube um vídeo que mostrasse a fala da ex-ministra sem criar mal-entendidos propositais e sem demonizar a candidata, mas não encontrei!
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Desse modo, notamos que os dois candidatos têm, basicamente, a mesma opinião sobre esse tema (isso não quer dizer que eles sejam equivalentes, há muito mais diferenças do que semelhanças entre eles) e adotaram o mesmo discurso simplificador para ganhar votos. As perguntas que ficam no ar são as seguintes:
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1) Como é que a campanha do Serra tem a cara de pau de criar uma celeuma em torno disso?
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2) Por que a revista Veja, com seu jornalismo tão "sóbrio" e "objetivo", só mostra a suposta "contradição" da Dilma? (Por favor, perceba que as aspas são irônicas. E só para ninguém esquecer: voto Dilma!)
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Em tempo: diferentemente do que está na imagem, escreve-se "descriminalização", com e. 

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Vivre en 2010

Tu t'aperçois que tu vis en 2010 quand :
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1. Par accident, tu tapes ton mot de passe sur le micro-onde ;
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2. Ça  fait des années que t'as pas joué au solitaire avec des vraies cartes ;
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3. T'as une liste de 15 numéros de téléphone pour joindre une famille composée de 3 personnes ;
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4. T'envoies un mail à ton collègue qui a le bureau juste à côté du tien ;
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5. Toutes les pubs télé ont une adresse Web en bas de l'écran ;
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6. Tu paniques si tu sors de chez toi sans portable et tu fais demi-tour pour le prendre ;
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7. Tu te lèves le matin et la première chose que tu fais c'est d'allumer ton ordinateur avant même de prendre ton café ;
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8. T'es en train de lire ce texte et tu acquiesces et souris ;
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10. Encore pire, tu sais déjà à qui tu vas renvoyer ce message ;
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11. T'es trop occupé pour t'apercevoir qu'il n'y a pas de numéro 9 dans cette liste ;
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12. A l'instant, tu viens de re-parcourir le message pour vérifier qu'il n'y avait pas de numéro 9 dans la liste...
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ALORS, SUIS CE CONSEIL : Lorsque tu es au bord de la dépression,que vraiment plus rien ne va comme tu le voudrais au travail, fais ceci : en sortant du travail arrête-toi à la pharmacie, achète un thermomètre rectal Johnson & Johnson (seulement cette marque-là) ; ouvre la boîte du thermomètre rectal et lis les instructions. Tu trouveras cette phrase quelque part :
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Chaque thermomètre rectal Johnson & Johnson a été testé personnellement à notre usine.
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Alors, maintenant, ferme les yeux et répète 5 fois à voix haute :
 - Je suis heureux[se] de ne pas travailler au contrôle de la qualité chez Johnson & Johnson.
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ET VOILÀ, ÇA Y EST, TU RIGOLES...
Allez, renvoie ceci à tes amies, t'en meurs d'envie !!! Et rappelle-toi toujours qu'il y a des jobs plus...  merdiques que le tien.

Como e por que Serra afundaria o Brasil na crise

Muito bacana essa pequena reportagem  que está rolando no YouTube. Diferente das maluquices inventadas por alguns indivíduos que querem caluniar a Dilma, temos aqui um recorte coerente de trechos do noticiário nacional sobre a recente crise financeira. Abaixo você confere o vídeo seguido de sua descrição:



Este vídeo traça uma cronologia da crise mundial (2008-2009) sob a ótica da imprensa brasileira e da oposição ao governo Lula, do PT.
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Com pouco mais de 9 minutos de duração, o vídeo traz também uma resposta aos que não entendem como o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) conseguiu quebrar o Brasil três vezes, a despeito de ter liquidado quase todas as estatais lucrativas.
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Pois, ao que parece, os "economistas PhDs" do PSDB não conseguem enxergar além das "receitas importadas" dos seus gurus neoliberais internacionais. E no meio do "efeito manada", o economista (?) José Serra disparou a dar entrevistas em que apontava os "graves erros" que a equipe econômica do governo Lula estava cometendo para tentar superar a crise, pois "ia na contramão" das medidas adotadas pelas grande potências mundiais que, segundo Serra, "eram as únicas soluções possíveis".
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E o vídeo aponta as "medidas" e as contradições de José Serra ante a crise quando ele ainda era governador do Estado mais rico da Federação.
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Ao economista (?) José Serra (e a todos os demais "especialistas" da direita conservadora do Brasil) parece faltar a ousadia, a sensibilidade e a criatividade mostradas pelo governo do PT para superar as falhas graves, como a crise financeira mundial e a desigualdade social de um grande país que, definitivamente, não deve ficar importando "receitas de bolo" estrangeiras para superar as dificuldades internas.

O vídeo mostra também de que forma a grande imprensa brasileira (que se popularizou na blogosfera como "PIG") exerceu um papel totalmente antipatriótico. Pois que, no furor para destruir a imagem de Lula, "importou' a crise e trouxe graves consequências ao Brasil, onde a crise poderia ter batido de forma mais suave se não fosse o alarmismo dos empresários que, pelos noticiários da imprensa, resolveram erroneamente demitir funcionários.
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Em tempo: a imprensa brasileira foi a única do mundo (daqueles países que não tinham nada a ver com a crise) que expôs com destaque e sensacionalismo a crise econômica mundial. A abordagem alarmista foi ainda pior do que aquela mostrada pela imprensa norte-americana ou europeia.
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Se você recebeu esse link por e-mail, clique aqui para ter acesso ao vídeo no meu blog.

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Liberdade de imprensa?

Não estou dizendo que o Zé Dirceu seja grandes coisas, mas vejam o que a imprensa fez com a notícia...
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Marina... você se pintou? (texto de Maurício Abdalla)

“Marina, morena Marina, você se pintou” – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o “grito da Terra e o grito dos pobres”, como diz Leonardo.
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Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias?
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Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as “famiglias” que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.
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Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas “os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”. Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.
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Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. “Azul tucano”. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.
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Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a “vitória da Marina”. Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.
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“Marina, você faça tudo, mas faça o favor”: não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você “tanto faz”. Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem “esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele”.
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Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. “Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu”.
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* Maurício Abdalla é professor de filosofia da UFES, autor de Iara e a Arca da Filosofia (Mercuryo Jovem), dentre outros.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"C'est quand le bonheur ?", de Cali

Como prometido a meus alunos do sábado de manhã, segue o link para o clipe de C'est quand le bonheur ?, de Cali (incorporação desativada no YouTube, désolé). Arranjo bem-bolado, interpretação na medida, vídeo divertidíssimo. Como de costume, a letra está nos comentários.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A França e o véu islâmico: dê a sua opinião!

O Senado francês aprovou, na última terça-feira, uma lei que proíbe a dissimulação do rosto em espaços públicos, como você pode conferir no site France24. Antes de ver a reportagem, é interessante ler o texto (que não é uma transcrição), para ter uma compreensão melhor. Quem viu o jornal sabe que a grande discussão gira em torno do fato de que, na prática, essa medida atinge essencialmente as mulheres muçulmanas que usam a burca ou niqab, ou seja, o véu que encobre a totalidade do corpo.
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Quem leu minha postagem Multiculturalismo e burca sabe bem o que eu penso do assunto. De qualquer forma, é importante que todos prestem atenção ao fato de que a cobertura jornalística está dando umas derrapadas ao tratar do assunto, seja para gerar polêmica, seja simplesmente por querer simplificar demais a questão. Assim, vamos a alguns esclarecimentos sobre o assunto.
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Primeiro: é importante lembrar que existem vários tipos de véu, e que a lei francesa se refere somente a um deles (o niqab). Clicando aqui, você pode conhecer os quatro principais. 
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Segundo: é preciso lembrar que, mesmo no mundo muçulmano, o uso do véu não é unanimidade. Clique aqui para para ler a reportagem de France24. Aliás, como você poderá ver, alguns países muçulmanos são ainda mais restritivos nessa matéria do que a França.
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Terceiro: para os defensores da religião de plantão, o uso do véu não é uma prescrição do Islã, mas uma tradição. Ou seja, não faz parte da religião islâmica, é simplesmente um costume de diversas populações. (E um sinal de opressão da mulher, na minha opinião, mas deixa baixo.)
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Quarto: a todos aqueles que gostam de tirar conclusões antes da hora, é bom lembrar que o simples fato de o Senado francês ter aprovado essa lei não significa, mecanicamente, que todos os franceses estejam de acordo com ela. Confira o artigo do Wikipédia sobre o uso do véu islâmico na França. Não esquecendo também que, no caso dessa votação no Senado, houve uma abstinência de uma grande parte dos parlamentares, especialmente os de esquerda.
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Assim, aproveite para se inteirar do assunto, praticando a leitura em francês. E sinta-se à vontade para dizer o que você pensa nos comentários!
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P.S.: Em francês, a palavra masculina voile significa "véu" (também se pode dizer foulard, "lenço"). Se for feminino, voile significa "vela" (tanto o esporte náutico quanto a vela do barco).

domingo, 12 de setembro de 2010

Sobre religião, eleições & democracia

Segue abaixo um e-mail que recebi esta semana e minha resposta. Evidentemente, o nome e o e-mail da pessoa que me escreveu serão mantidos em sigilo. Por favor, percebam que não estou pedindo votos para ninguém, mas abordando a maneira como compreendo termos como "liberdade religiosa" e "laicidade". Aliás, a relação entre religião e democracia já foi tema de outra postagem, há um bom tempo.
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Date: Sat, 11 Sep 2010 08:56:56 -0300
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Subject: Não Vote no PT - Vídeo Pastor Paschoal Piragine Jr.
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Prezados,
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Eu infelizmente não vou votar este ano pois vim para o Timor-Leste depois do prazo para transferência do título. Aliás, mesmo que tivesse dado tempo, eu somente poderia votar nas eleições presidenciais, então depende de vocês votar em políticos de partidos que tenham posição firme contra a transformação da inquidade em lei.
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Não basta só não votar na Dilma, não podemos votar em nenhum político do PT e demais partidos que tem questão fechada a favor do aborto, do casamento gay, da perseguição aos cristãos por meio da lei da mordaça gay, infanticídio de crianças índias e todos os temas tratados no vídeo cujo link está a seguir.
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Um abraço a todos e um voto consciente.
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V.
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Minha resposta:
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Caro V...,
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Como você sabe muito bem, sou ateu. Ainda assim, conheço bem o discurso de líderes religiosos e sei exatamente qual é a posição deles a respeito de temas como aborto e união civil de homossexuais. Minhas convicções pessoais já me afastam do pastor cujo vídeo você linkou, mas gostaria de ressaltar que o mais importante, a meu ver, é um valor fundamental para a democracia: a laicidade.
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Quando um partido como o PT se mobiliza para fazer com que a união civil entre pessoas de mesmo sexo seja reconhecida pela lei, está simplesmente tentando fazer valer o princípio segundo o qual o Estado não deve se orientar por convicções religiosas. Os fiéis de diversas denominações costumam ficar de cabelo em pé com a ideia de não poderem impor seus princípios morais ao funcionamento da República, mas deveriam, ao contrário, defender a laicidade. Afinal, é ela que garante a liberdade de culto. Imagine se o Brasil fosse dominado por alguma corrente religiosa que considerasse a simples existência de templos cristãos uma iniquidade. Imagine se isso levasse a uma verdadeira perseguição contra católicos e evangélicos, com o fechamento de igrejas, a destruição de bíblias e sanções penais contra aqueles que professassem um credo diferente do oficial. Certamente não é o cenário dos seus sonhos...
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O importante é garantir o direito de cada indivíduo viver de acordo com suas próprias convicções, desde que isso não implique o desrespeito ao outro. Se dois homens decidem viver maritalmente, isso é direito deles e não diz respeito aos outros. Por mais que possa chocar a sensibilidade de alguns. Afinal, é a vida deles... O uso do termo "casamento gay" é um truque retórico para causar polêmica e incitar a intolerância, uma vez que o termo "casamento" é carregado de associações religiosas e profundamente enriazado, na moralidade cristã, como um valor supremo.
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A liberdade religiosa garante às igrejas o direito de se posicionar contra a homossexualidade, de dizer que ela é um pecado e até mesmo uma "iniquidade" passível de castigo com o inferno. Mas não é por isso que um pastor pode simplesmente plantar um trio elétrico na frente de uma associação de defesa de homossexuais e ficar berrando que os "fornicadores" são pessoas imundas que merecem arder para toda a eternidade nas trevas e nas chamas do Inferno. O alarido de grupos religiosos contra a chamada "lei da mordaça gay" é, a meu ver, a reação daqueles que querem ter preservado seu "direito" de ofender quem não se encaixa nos padrões por eles ditados.
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Pense bem: se formos seguir esse tipo de raciocínio, já existe em nossa sociedade uma "lei da mordaça cristã"; afinal, alguém que fosse a público lançar ofensas e agressões verbais contra as igrejas certamente seria processado. Qual seria a sua reação se um sujeito distribuísse panfletos dizendo que os seguidores de Cristo são pessoas moralmente desprezíveis e que eles deveriam ser convertidos ao ateísmo? Mesmo sendo descrente, eu também consideraria essa atitude escabrosa, incivilizada. Certamente, não diríamos que se trata de um uso legítimo da liberdade de expressão. Porque você sabe muito bem que esse direito, que está no coração mesmo da democracia, não poderia ser usado como desculpa por um grupo neonazista que quisesse disseminar ideias racistas, ou por uma facção terrorista que tivesse a intenção de insuflar o ódio contra seja lá quem for.
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O aborto é uma outra discussão, bastante complexa, que certamente vai muito além de concepções religiosas. Quanto às outras acusações (infanticídio de crianças índias, por exemplo), é preciso ter cuidado para não ser vítima de manipulação. O mais importante é não deixarmos que nosso país, que ainda está engatinhando rumo à democracia, seja vítima de discursos fáceis e perigosos como o do pastor Paschoal. Perceba que ele coloca no mesmo saco pedofilia, infanticídio e luta por direitos civis de um grupo minoritário. Sem falar no paradoxo de ser contra o divórcio e citar números espantosos de violência familiar. (Uma mulher que fez de tudo para salvar seu casamento não deveria ter o direito de se separar de um marido agressor?) Isso é distorção e má-fé. Não tenho outras palavras.
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Não vem ao caso o fato de que os brasileiros, em sua maioria, são cristãos e se opõem ao "casamento gay". É importante lembrar que a democracia não é uma ditadura da maioria. Isso tem nomes específicos: fascismo e totalitarismo. Sinceramente, tenho medo de que o Brasil se torne uma democracia de fachada como os EUA, dominados por lobbies de todos os tipos, ou uma teocracia obscurantista como o Irã. É esse o risco que corremos se as coisas continuarem no rumo em que estão.
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Um grande abraço.
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Sandro

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A expressão da necessidade em francês

Mais um post com um título “super excitante”, igual A expressão da restrição em francês, Pronomes repetitivos ou Subjuntivo em português e em francês. Bom, se por um lado não sou muito inspirado para dar nome aos meus textos, por outro minha experiência me mostra que esses são pontos que merecem uma atenção redobrada da parte de alunos e professores, daí o texto ser relevante.
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Assim, vamos lembrar que, em nossa língua, temos diversos verbos que exprimem a necessidade: “dever”, “necessitar”, “precisar” e, de longe o mais frequente na fala brasileira, “ter”.
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Pois vou começar pedindo para você não falar uma mistura de francês com português, que eu carinhosamente chamo de “franguês”. Explicando: em francês, préciser significa “precisar” no sentido de “indicar com precisão”. Quer dizer que, se em sala de aula um aluno me dissesse uma barbaridade do tipo Je précise aller aux toilettes, eu teria vontade de dar uma de desentendido até ele fazer nas calças. Préciser não é sinônimo de devoir, não tem nada a ver o pescoço com as calças! Além de que é muito melhor você simplesmente dizer Pardon e se dirigir até a porta!
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Vamos lembrar também que o verbo avoir é outro que não deve aparecer nesse tipo de frase. Na verdade, ele até pode aparecer em enunciados que exprimem a necessidade (Je deviens fou quand je pense à tout ce que j’ai à faire – “Fico maluco quando penso em tudo o que tenho para fazer”), mas você percebe que estamos distantes daquele j’ai que faire beaucoup de choses, uma “coisa” horrível que leva muitos professores de francês ao pânico e à loucura. Avoir pode ser usado para exprimir a necessidade (Je n'ai pas à me mêler de sa vie privée – "Eu não tenho que me meter na vida privada dele(a)"), mas o tom do discurso me parece meio literário e pouco natural na conversação.
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E também não me venham improvisar com um nécessiter da vida. Em francês, esse verbo significa “tornar necessário” (algo como “requerer” ou “exigir”). O que significa que o sujeito do verbo nécessiter nunca pode ser uma pessoa. Se você mandar um Cette situation nécessite une attention particulière des pouvoirs publics (“Essa situação requer um cuidado especial do governo”), esteja certo de que seu professor vai ficar nas nuvens. Mas se você cometer aquele detestável Je nécessite aller aux toilettes, é melhor você não estudar comigo...
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Bom, até agora, só disse o que não pode, né? Pois bem, os verbos mais usados para exprimir a necessidade em francês são devoir e falloir, sendo que esse último é ainda mais geral (e menos empregado por alunos brasileiros). Vamos lembrar que falloir é um verbo impessoal, cujo sujeito é sempre il. Seguem alguns exemplos de frases em português e suas traduções possíveis em francês:
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“Você tem que ler esse livro.”Tu dois lire ce livre. Il faut que tu lises ce livre.
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“É preciso praticar esportes.”On doit faire du sport. Il faut faire du sport. (Quanta saliva já não foi inutilmente gasta com o clássico – e muito deselegante – “C’est nécessaire de faire du sport” que os alunos adoram...)
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“Tive que sair mais cedo.”J’ai dû sortir plus tôt. ( é o particípio passado de devoir.)
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“Bom dia, quero (preciso de) um quilo de tomates.”Bonjour, il me faudrait un kilo de tomates. (Algo que você poderia dizer a um feirante – observe que falloir está no conditionnel présent, para ficar mais educado. Repare também a construção impessoal com il.)
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E por aí vai. O importante é lembrar que falloir é o cara mais importante da história. Bom, eu não poderia deixar de mencionar avoir besoin de, queridinho dos alunos, que o usam meio a torto e a direito. É que essa expressão é um tanto forte. Fica bem em situações como On a tous besoin d’argent pour vivre (“Todo o mundo precisa de dinheiro para viver”) ou um dramático J’ai besoin de liberté (“Preciso de liberdade”). Quer dizer que, se você disser J’ai besoin d’un kilo de tomates, o feirante certamente vai entender, mas vai achar ligeiramente engraçado...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Para dar umas risadas e aprender um pouco de vocabulário


Nouvelle recrue à la gendarmerie.
Dans une caserne de Gendarmerie, le Capitaine croise un jeune élève-gendarme fraîchement débarqué de l'école de Gendarmerie.
- Comment vous appelez-vous, mon garçon ?
- Yves, et vous ?
Le capitaine, furieux, s'écrie :
- Mon petit bonhomme, je ne sais pas d'où vous arrivez, mais sachez que je suis le Capitaine et que je m'appelle MON CAPITAINE. De même, dans ma compagnie, j'appelle les gens par leur nom de famille. Si vous vous appelez Yves Tartempion, je vous appellerai Tartempion, mais pas Yves. Me suis-je bien fait comprendre ?
- Oui, mon capitaine.
- Alors, c'est quoi votre nom de famille ?
- Montcherry.
- Très bien, Yves, au travail.
Un mari qui hait le chat de sa femme décide de l'emmener en voiture à 20km de là. Il l'abandonne et retourne à la maison. À son arrivée, le chat l'attend sur le pas de la porte. Nerveux, il reprend le chat et l'emmène à 40 km de là puis l'abandonne de nouveau. À son arrivée à la maison, le chat l'attend sur le pas de la porte. Furieux, il reprend le chat et fait 10 km par la droite, puis 25 par la gauche, 30 km vers le Nord, et 25 km vers le Sud. Il abandonne le chat et repart. Au bout d'un moment il appelle sa femme avec son portable :
- Chérie, juste une question, le chat est-il là?
- Oui, il vient d'arriver, pourquoi ?
- Passe-moi ce connard au téléphone, je suis perdu.
Un prisonnier d'un pénitencier très dur discute avec un nouveau: 
- Moi, j'ai pris 10 ans pour escroquerie, et toi? 
- 20 ans pour secourisme.
- Arrête, tu déconnes, personne n'a jamais pris 20 ans pour secourisme, même pas un an !
- Si, si : ma belle-mère saignait du nez, alors je lui ai fait un garrot autour du cou pour arrêter l'hémorragie.

sábado, 21 de agosto de 2010

Ratatouille

Aprenda a fazer a ratatouille, um dos meus pratos preferidos, melhore a gastronomia do seu domingo e aproveite para aprender alguns termos culinários em francês.
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Observação importante: a pronúncia é "ratatui", não "ratatuí" ou "ratatuíle". Na verdade, não se deve pronunciar o L quando se tem -ill-. Pense na maneira correta de falar Versailles (vérsái), maillot (máiô), famille (famíi) e vieille (viéi). As únicas palavras com -ill- em que se pronuncia o L são ville, tranquille, mille, Lille e Gilles, e os derivados delas (tranquillité, village, million, lillois etc.). A interjeição ouille !, que indica dor, se pronuncia exatamente como a interjeição portuguesa "ui!". Lembre-se que isso só se aplica quando se tem a letra i antes dos dois L, e não tem nada a ver com palavras como salle, belle e colle, nas quais o L é pronunciado.

domingo, 15 de agosto de 2010

Eu no Main Square Festival 2010, em Arras

Certo dia, eu afirmei nesse blog que ia flutuar de felicidade no dia em que assistisse um show de Mathieu Chedid, mais conhecido como M. E não é que o dia chegou? Passei 20 dias do mês de julho em Dunkerque, trabalhando como intérprete para os Ateliers Internationaux de Maîtrise d'Oeuvre Urbaine. E o melhor é que, no dia seguinte à minha chegada, rolou um festival numa cidade próxima e... M ia tocar! Com a ajuda de alguns amigos que também são fãs do cara, consegui me arranjar para ir ao show, que foi simplesmente fantástico, maravilhoso, inenarrável! Não imaginava que isso fosse acontecer tão cedo, e aconteceu! Vão abaixo dois momentos desse dia memorável que encontrei no Youtube.
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1) M tocando guitarra com os dentes, à la Jimi Hendrix, usando uma peruca loucaça que ele tirou no meio do show:
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2) Frequentemente, em suas apresentações, M chama pessoas do público para subir no palco. Infelizmente, eu estava longe e não conseguiria chegar. Aqui, vocês conferem o momento em que ele colocou uma menininha para "tocar" guitarra, na música Amssétou, do novo disco:
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Para terminar, minha cara de felizão no meio da galera:
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sábado, 14 de agosto de 2010

BONOBOO

Fazia muito tempo que eu queria mostrar essa música aqui no blog. Bonoboo é uma espécie de primatas que se caracterizam por um nível de agressividade muito baixo. Para conhecer mais sobre o comportamento desses nossos priminhos e sobre o modo particular que eles têm de evitar conflitos, clique aqui (link para o artigo da Wikipédia em francês). A docilidade dos bichos em suas relações explica a introdução da música, lida por Andrée Chedid, avó de -M- e autora do texto. 
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Du haut de ses trois millions d'années, le Bonoboo dont je vais vous parler, race sensible préférant l'amour à la guerre, fut lentement éliminé par d'autres singes plus agressifs, dont nous sommes les heureux descendants...
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Para ter acesso à letra da música, basta entrar nos comentários. É bacana observar o uso do passé simple, que dá certa solenidade ao texto, assim como os apóstrofos "errados", que servem para indicar a maneira certa de cantar. (Para entender o uso dos apóstrofos, leia meu post sobre o assunto, clicando aqui; para entender melhor sobre o valor dos tempos verbais em francês, clique aqui.)


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ano novo e inverno em Paris

Gostou da ideia? A professora Carla, minha colega no Centro de Línguas, está organizando essa viagem. Eu fiz a mesma coisa em 2007 e o resultado foi ótimo, apesar de eu não ter sido tão chic quanto ela (fomos a Dijon, cidade fantástica, por sinal). Para maiores informações, baixe o folheto explicativo no link abaixo:

http://www.4shared.com/document/G5lkmV8T/Ano_Novo_e_Inverno_em_Paris.html

terça-feira, 10 de agosto de 2010

entrudo

....tropeço entre estar
....................ébrio
...............e sóbrio
............não é brincadeira
..o que me sobra
..................é
................
...........meu brio

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Le petit Nicolas

Você tem que ver esse filme! O pequeno Nicolau (Le petit Nicolas) está em cartaz no Cine Metrópolis, nos seguintes horários: 16h10 e 17h50, e conta as aventuras de um bando de moleques muito engraçados que buscam uma solução para o grande problema que vai acontecer na vida de Nicolas: a chegada de um temível irmãozinho! Trata-se de uma adaptação para a telona dos livros de mesmo nome, escritos por René Goscinny (o autor de Astérix & Obélix).
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Diversão garantida para crianças de todas as idades.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"Difficile à" ou "difficile de"?

O uso das preposições é um dos aspectos mais espinhosos no aprendizado de línguas estrangeiras. Mas, para a questão colocada no título desta postagem, acho que posso dizer que não é nenhum bicho de sete cabeças. Antes de mais nada, é importante destacar que a regra que será mostrada aqui não se aplica somente ao adjetivo difficile.
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Vamos a dois exemplos para você entender:
Ce livre est difficile à résumer. ("Esse livro é difícil de resumir")
Il est / C'est difficile de résumer des oeuvres littéraires. ("É difícil resumir obras literárias")
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A regra é tão simples que eu acho até constrangedor enunciá-la: nesse tipo de construção que envolve adjetivos e infinitivos, quando se usa "de" em português, usa-se à em francês; quando não se usa nada em português, usa-se de em francês. Convém lembrar que, no segundo caso, estamos diante de construções impessoais do tipo il est (ou c'est, em linguagem informal) + adjetivo + de + infinitivo.
Assim, temos:
Il n'est pas facile de trouver ce disque dans les magasins. ("Não é fácil encontrar esse disco nas lojas")
Ce disque n'est pas facile à trouver dans les magasins. ("Esse disco não é fácil de encontrar nas lojas")
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Espero que este texto não tenha sido difficile à comprendre.

As touradas e a diversidade cultural

O parlamento da Catalunha aprovou uma lei que proibirá as touradas naquela parte da Espanha a partir de 2012, o que provocou entusiasmo nas associações de defesa dos animais, que esperam um efeito de "contágio" em outras regiões do país ibérico (efeito considerado pouco provável pelos especialistas). Do lado oposto, forte reação daqueles que querem defender a "tradição cultural" das corridas.
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Vamos direto ao ponto: tradição cultural é o escambau! Trata-se simplesmente de um espetáculo sádico, deplorável e completamente incompatível com o senso de civilização. NÃO me desculpem pelo radicalismo. É isso mesmo. Os defensores das touradas podem dizer o que quiserem, mas aplaudir um maníaco que se diverte torturando e assassinando um animal inocente é um absurdo inaceitável. Uma das coisas mais nonsense que já ouvi em sala de aula veio de um aluno de quem eu gosto muito. Sabem o que ele disse? "Professor, eles comem o touro depois." Aaaaaah, então tá, por que nunca me disseram isso?
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(Que fique bem claro que não tenho nada contra o abate de animais para a alimentação humana. Somos primatas onívoros e temos o direito de comer carne. Mas isso não nos autoriza a humilhar e maltratar os seres vivos que nos servem de sustento.)
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Os relativistas de plantão e os intelectuais preocupados em preservar a "diversidade cultural" (expressãozinha que ganhou ares de dogma supremo do pensamento universitário) podem dar um milhão de argumentos. Não quero nem saber! O único momento interessante de uma corrida é quando o animal vence.
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E você, o que acha?